Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Rita da Nova

Qui | 14.12.23

You Made a Fool of Death With Your Beauty, Akwaeke Emezi

Quem ouviu o episódio do Livra-te sobre a viagem que eu e a Joana fizemos a Amesterdão sabe que este livro chegou à minha pilha de “para ler” recentemente. You Made a Fool of Death With Your Beauty, de Akwaeke Emezi, tem um título e uma capa lindíssimos — e, admito, foi por estes elementos que a minha curiosidade ficou aguçada.

 

you-made-a-fool-of-death-akwaeke-emezi.JPG

 

Depois, quando li a sinopse, percebi que se tratava de um livro sobre trauma e acerca das formas como conseguimos (ou não) voltar a amar depois de termos sofrido uma perda irreparável. Nessa altura pensei que tinha tudo o que eu gosto num livro, apesar de ser um romance, então lá fui, toda contente. O entusiasmo passou-me assim que cheguei ao fim do primeiro capítulo e, confesso, terminei na força do ódio. Em You Made a Fool of Death With Your Beauty acompanhamos Feyi cinco anos depois de um trágico acidente de automóvel — ela sobreviveu, mas o marido morreu.

 

Feyi conhece um homem, com quem procede imediatamente a ter sexo na casa de banho do estabelecimento onde estão, mas depois afinal fica é interessada por um amigo desse homem. Só que, mais tarde, percebemos que há outra pessoa aqui no meio que vem agitar as águas e complicar a situação. Compreendo as pessoas que gostam deste livro, com o argumento de explorar um lado mais imprevisível e até mais confuso do ser humano — nem sempre nos comportamos como é indicado. E eu percebo isso, só não percebo a necessidade de criar tantos sub-enredos numa história que seria muito mais bem contada se nos mantivéssemos muito mais dentro das motivações de Feyi e não tanto nas suas ações.

 

And that’s something I’ve learned in the years since, that there are so many different types of love, so many ways someone can stay committed to you, stay in your life even if y’all aren’t together, you know? And none of these ways are more important than the other.

 

Por exemplo: sinto que mudar a perspetiva para a primeira pessoa teria sido uma maneira bastante eficaz de nos pôr, enquanto leitores, do lado de uma personagem que só faz disparates atrás de disparates. Da forma como Akwaeke Emezi orquestra esta narrativa, eu só consigo odiar tudo e todos, parecem-me só pessoas privilegiadas a fazer coisas más porque sabem que não há realmente consequências para os seus atos. Tem algumas reflexões interessantes sobre o luto e sobre a capacidade de reencontrar quem somos no meio dele? Tem. Foi suficiente para que eu esquecesse tudo o resto? Não.

 

Confesso que fiquei com pouca vontade de ler mais coisas de Akwaeke Emezi, mas The Death of Vivek Oji parece-me mais consensual. Alguém por aí já leu mais coisas? O que acharam?

4 comentários

Comentar post