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Rita da Nova

Ter | 11.01.22

To the Wedding, John Berger

Se ouvem o Livra-te, certamente que conhecem o amor com que a Joana fala do To the Wedding, de John Berger, pelo que seria impossível chegar ao fim de 2021 sem o ler — foi uma das minhas leituras finais do ano e sinto que calhou mesmo bem nesta altura do ano, em que me sinto sempre um pouco nostálgica.

 

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O livro conta a história de um casamento fragmentada em diferentes pontos de vista — um vendedor de rua cego, o pai e a mãe da noiva que se dirigem para o local da cerimónia, a noiva que, aos vinte e poucos anos, está a morrer com SIDA. É uma narrativa um pouco confusa ao início, quando ainda nos estamos a habituar aos diferentes pontos de vista, até porque o autor não faz uma grande separação entre eles; porém, adaptei-me bastante depressa ao estilo de escrita e li-o numa assentada.

 

Everything is stone, and everything speaks of a time which is not ours, a time which touches eternity but can’t get back inside it.

 

A escrita é bastante poética, e acho que contribui muitíssimo para a beleza do livro, mas o tema de um luto prematuro — não só apenas porque Ninon é muito jovem, como também porque não ficará viva muito tempo — foi o que mais me tocou, sobretudo depois de ter perdido recentemente um amigo também demasiado cedo. Fez-me pensar muito no que faria se tivesse um diagnóstico terminal nesta fase da minha vida: ainda correria atrás da felicidade, como Ninon fez por influência do namorado? Ou desistiria simplesmente de passos comuns de quem tem muitos anos pela frente, como o casamento?

 

What do I want? Not even knowing what I want, not even knowing what I myself want, is where the loneliness begins.

 

Além de toda a beleza que pontua To the Wedding, pela escrita ou pelo enredo, este livro também ganhou um lugarzinho especial no meu coração porque se passa essencialmente no norte de Itália e há muitas descrições de Turim, cidade onde vivi e na qual fui muito feliz. Não estava à espera desta surpresa e sinto que tornou a leitura ainda mais especial para mim.

 

Se quiserem dar uma oportunidade a um livro que mostra que há beleza nas coisas tristes, agarrem-se já a este — ainda por cima está traduzido para português com o título Para o Casamento. Deixei-vos com vontade de o ler?

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