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Rita da Nova

Sex | 14.01.22

The Penelopiad, Margaret Atwood

The Penelopiad, de Margaret Atwood, foi uma das minhas compras na Feira do Livro de Lisboa de 2021, mas ainda não lhe tinha pegado. A minha experiência anterior com uma obra dela (que não The Handmaid’s Tale) foi com Surfacing, que se revelou uma leitura bastante estranha e até penosa para mim.

 

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Por isso, quando decidi ler esta Odisseia contada do ponto de vista de Penélope, mulher de Ulisses, estava preparadíssima para a desilusão. Porém, aconteceu-me exactamente o oposto: não o consegui largar enquanto não acabei de ler. O meu bichinho pelas reinterpretações de histórias da mitologia grega já tinha acordado quando li The Song of Achilles, e sinto que este livro de Margaret Atwood veio trazê-lo ainda mais ao de cima.

 

Water does not resist. Water flows. When you plunge your hand into it, all you feel is a caress. Water is not a solid wall, it will not stop you. But water always goes where it wants to go, and nothing in the end can stand against it. Water is patient. Dripping water wears away a stone. Remember that, my child. Remember you are half water. If you can't go through an obstacle, go around it. Water does.

 

Penélope narra a sua história no submundo, já depois de morta, e traz uma perspectiva completamente diferente à que conhecemos das lendas gregas e da Odisseia. Acompanhamos o ponto de vista dela em relação ao casamento com Ulisses, à sua prima Helena de Tróia e aos dez anos que o marido esteve para conseguir regressar a casa (anos esses que dão origem à Odisseia de Homero). Paralelamente, a autora vai trazendo a voz das doze servas que foram executadas aquando do regresso de Ulisses a casa. No fundo, traz a visão das mulheres sobre uma história que é tantas vezes contada no masculino.

 

Children were vehicles for passing things along. These things could be kingdoms, rich wedding gifts, stories, grudges, blood feuds. Through children, alliances were forged; through children, wrongs were avenged. To have a child was to set loose a force in the world.

 

Além do lado inerentemente feminista deste livro, algo que Margaret Atwood nunca deixa escapar, também adorei o facto de a escrita ser super actual. Muitas vezes, a personagem da Penélope mete-se com o leitor, assumindo que este está a ler o livro numa época bem diferente daquela em que a história se passou. Acho que obras como esta podem ser responsáveis por despertar o interesse em relação à mitologia antiga — pelo menos comigo, é o que está a acontecer.

 

The Penelopiad está traduzido para portugês com o título A Odisseia de Penélope e, já agora, pergunto-vos que outras obras semelhantes me recomendam. Tenho Circe e Ariadne para ler, mas sugestões nunca são em demasia!

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