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Rita da Nova

Ter | 16.02.21

The Mothers, Brit Bennett

Depois de ter ficado fascinada com The Vanishing Half e de ter ouvido maravilhas sobre The Mothers, o livro de estreia de Brit Bennett, aproveitei mais uma daquelas promoções irresistíveis na loja do Kobo e fiz dele a minha mais recente leitura. Estava à espera de uma história passada nos anos 60, como no primeiro livro que li dela, mas este passa-se nos dias de hoje e aborda a maternidade e a figura materna nas suas diferentes formas. 

 

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Nadia Turner é a nossa personagem principal que tem de aprender a lidar com a morte quando a sua mãe se suicida. Luke Sheppard, filho do Pastor da aldeia, está a viver uma fase difícil depois de uma lesão o ter impedido de continuar a jogar futebol americano. Ambos encontram consolo numa relação meio secreta, que acaba quando Nadia engravida e acaba por decidir abortar. Não se preocupem, que nada disto é spoiler – o mais interessante neste livro é perceber como é que esta interrupção de uma gravidez pode desencadear tantos acontecimentos. 

 

Acima de tudo, The Mothers coloca várias questões sobre ser-se mãe e pai: continuamos a sê-lo se decidirmos terminar uma gravidez? Qual é a nossa relação com essa criança que nunca chegou a nascer? É justo que algumas pessoas decidam simplesmente terminar com esse vínculo ainda antes de ele existir, quando há tantas pessoas a tentar ter filhos? E o pai, tem direito a fazer o luto deste bebé?

 

O título não é tão literal assim. É que, para além de todas estas questões e de todas as formas que a maternidade assume neste livro, a narrativa ainda é conduzida pela figura das Mothers, mulheres religiosas que passam muito tempo na “Upper Room” da igreja local. É uma voz colectiva interessante, mas que vai julgando as acções das personagens à luz dos valores cristãos. Confesso que nem sempre foi uma adição positiva à leitura, às vezes senti que este recurso de escrita confundia mais do que trazia valor, mas não deixa de ser um exercício interessante. 

 

Demorei algum tempo a gostar genuinamente de ler The Mothers, acho que até meio do livro ainda não tinha criado uma ligação séria com nenhuma das personagens e a figura das Mothers ajudou à festa. Ainda assim, a partir do momento em que a história de começa a desenrolar com mais ritmo, não consegui parar de ler até terminar. Sinto que gostei mais de ler The Vanishing Half, mas que The Mothers vai ficar mais presente na minha cabeça durante mais tempo. Será que isso faz sentido? 

 

Há por aí mais gente a acompanhar o trabalho de Brit Bennett? Ouvi-a como convidada do podcast You’re Booked e passei a gostar ainda mais dela pela forma como vê a escrita e a leitura. Para além de recomendar os livros dela, também vos desafio a ouvir este podcast sem acabar com uma lista gigante de livros para ler! 

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