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Rita da Nova

Sex | 11.06.21

The Loudness of Unsaid Things, Hilde Hinton

Não sei se já vos aconteceu, mas apaixonei-me pelo título deste livro e acabei por me desiludir com o conteúdo. Acho que criar bons títulos é uma das tarefas mais complicadas no que toca a escrever, por isso custa-me a acreditar que alguém tenha sido capaz de ser excelente a fazê-lo, mas incapaz de manter a mesma qualidade no resto. The Loudness of Unsaid Things, de Hilde Hinton, foi a minha leitura depois de The Song of Achilles e acredito que, também por isso, não tenha tido a capacidade de ser dos livros mais memoráveis deste ano.

 

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Ao longo das três partes deste livro vamos acompanhando duas linhas temporais, com duas protagonistas: nos anos 80 conhecemos Susie, uma pré-adolescente que tem de lidar com as doenças mentais da mãe (e respectivas consequências). Mais perto dos dias de hoje, acompanhamos Miss Kaye, que trabalha no The Institute, uma instituição que recebe doentes mentais e onde cada pessoa tem diferentes estratégias para lidar com os residentes. Passamos muito mais tempo a conhecer e acompanhar Susie – das visitas à mãe, à relação com o pai, passando pela necessidade de sair cedo de casa e mudar de cidade. Já Miss Kaye aparece muito pontualmente, não havendo tempo suficiente para criar uma ligação à personagem. 

 

Por outro lado, toda a construção da personagem de Susie me parece exagerada e pouco credível – das duas, uma: ou aquela miúda tem muita autoconsciência e um desenvolvimento mental acima da média, ou então temos ali a autora a projectar aquilo que agora sabe sobre o que é crescer numa personagem demasiado nova para ter noção de como as coisas são exactamente. Não sei se isto que disse faz muito sentido, mas tive sempre essa sensação ao longo da leitura. 

 

O que vale é que está bem escrito e foi por isso que continuei a ler. Ao início não conseguiu prender-me, depois fui entrando na narrativa, mas a certa altura já estava completamente desinteressada. Como não acreditei naquela personagem, pouco me fazia se estava a mudar-se para Sidney e se não conseguia encontrar casa. 

 

Acho que podem depreender que não recomendo particularmente este livro. Li algumas reviews que o comparavam com Eleanor Oliphant is Completely Fine, mas para mim não há como comparar – se tiverem que escolher, agarrem-se antes à Eleanor! Quem desse lado já tinha ouvido falar deste The Loudness of Unsaid Things? Segundo percebi, ainda não está traduzido para português. 

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