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Rita da Nova

Qui | 04.08.22

The Island of Missing Trees, Elif Shafak

Já terminei este livro há algum tempo e, mesmo assim, não sei bem como começar este post. Sinto que dizer que foi uma das melhores coisas que li este ano é redutor — 2022 tem trazido excelentes leituras e temo que, ao começar por aí, não consiga passar-vos o quão especial é este livro.

 

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The Island of the Missing Trees é uma história de amor, sim, mas daquelas que está inserida num contexto impossível de ignorar. Kostas é cipriota-grego e Defne é cipriota-turca: os dois jovens apaixonam-se e nada disso estaria errado, se não vivessem este amor no auge do conflito interno que existiu em Chipre durante os anos 70. A divisão entre o lado grego e o lado turco da ilha fizeram inclusivamente com que a capital, Nicosia, ficasse fisicamente dividida ao meio, delimitando os dois lados do território. Eu não fazia ideia de todo este conflito, mas sinto que a autora o explicou muito bem ao posicionar este amor proibido no centro da história.

 

Kostas e Defne encontram-se às escondidas numa taberna onde existe uma figueira e é a árvore que serve (e vai servindo ao longo dos anos, mesmo quando já não estão em Chipre) de grande testemunha do amor entre os dois. É, por isso, um livro muito original na forma como utiliza vários pontos-de-vista para desenvolver uma narrativa que tem início nos anos 70, mas que chega até aos dias de hoje. As partes narradas do ponto-de-vista da figueira foram, sem dúvida, as de que mais gostei.

 

I wish I could have told him that loneliness is a human invention. Trees are never lonely. Humans think they know with certainty where their being ends and someone else's starts. With their roots tangled and caught up underground, linked to fungi and bacteria, trees harbour no such illusions. For us, everything is interconnected.

 

Mais do que explorar acontecimentos históricos dos quais, provavelmente, poucos de nós tinham conhecimento, este livro explora muito bem a ideia de tradição familiar e de pertença. Faz-nos questionar o que é realmente pertencer a um país e a uma nacionalidade: é o facto de lá vivermos? São os nossos antepassados? E quem somos nós quando não nos identificamos necessariamente nem com o país em que nascemos, nem com o país de onde os nossos pais são provenientes?

 

Este é daqueles que tem selo de recomendação garantido e a parte boa é que está traduzido para português — não têm mesmo desculpa para escaparem a esta história. Fiquei também muito curiosa para ler mais coisas de Elif Shafak, porque gostei mesmo muito da originalidade com que montou a narrativa deste livro — se já leram coisas dela, o que me recomendam?

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