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Rita da Nova

Qui | 27.11.25

The End of Loneliness, Benedict Wells

Para novembro no nosso pequeno clube de leitura de duas pessoas, eu e a minha amiga Pat trocámos dramas familiares. A ideia seria procurar livros que explorassem relações familiares complexas, idealmente através de diferentes gerações (ou pespetivas) da mesma família. Como sempre, ela emprestou-me um livro de que nunca tinha ouvido falar: The End of Loneliness (PT: O Fim da Solidão), de Benedict Wells.

 

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A vida dos irmãos Moreau muda no dia em que os pais morrem na sequência de um acidente de viação. Jules, Marty e Liz vão então para um colégio interno, onde começam a afastar-se mais e mais, e cada um acaba por seguir o seu próprio caminho, sem grandes pontos de ligação aos outros. Mas a narrativa começa antes — ou melhor, muito depois — no momento em que Jules, já um homem adulto, está internado no hospital depois de um acidente de mota. Debilitado e visitado pelo irmão, o nosso protagonista começa a relembrar o seu percurso e os acontecimentos que o levaram até ali.

 

Entendemos várias coisas nesse regresso ao passado, e a primeira é que Jules sempre sentiu muita necessidade de ligação a outras pessoas. Não podendo (ou não conseguindo) tê-la com os irmãos, é em Ava, uma amiga da escola, que deposita toda a sua esperança de conseguir ter alguém a quem chamar de seu. Mas rapidamente compreendemos outra coisa, também: nem sempre podemos confiar em nós mesmos quando o objetivo é o de recordar com precisão o que nos aconteceu. Temos apenas a perspetiva de Jules, mas é na mesma uma história caleidoscópica, que vai focando a lente nos anos e momentos centrais para sabermos o que aconteceu a estes irmãos.

 

There were things I couldn’t say; I could only write them. Because when I spoke, I thought; and when I wrote, I felt.

 

Quando comecei, não sabia que ia ligar-me tanto a esta história e a estas personagens. Aproveitei uns dias em que tive de andar muito de carro pelo país para alternar livro com audiolivro, e simplesmente não conseguia parar de ler e ouvir. O final deixou-me em prantos, completamente desfeita, porque embora já mais ou menos estivesse a ver para onde a narrativa estava a ir, a prosa é tão bonita que me fez sentir tudo como se se estivesse a passar comigo.

 

Recomendo muito que leiam, e ficam com a informação de que está disponível em português no Kobo Plus — espreitei a tradução e pareceu-me muito boa, portanto é só irem, mesmo. Ficaram com vontade de o ler?