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Rita da Nova

Parabéns, casinha!

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Faz hoje um ano que nos mudámos para a nossa casinha, precisamente no dia em que Portugal foi campeão europeu. E, na realidade, a nossa história com esta casa não começou muito antes: em Maio adoptámos a Guinness e a BB8, ainda sem estarmos a morar na mesma casa. Foram elas as impulsionadoras do passo seguinte na nossa relação e decidimos começar a procurar um sítio nosso.

 

Quem alugou casa nos últimos dois anos vai reconhecer o que descrevo a seguir: consultámos sites e sites, pesquisámos até ao fundo da internet, mas deparámo-nos logo um grande problema. Lá haver casas baratas, havia; mas eram autênticas caves escuras e decrépitas. Não encontrámos nada que valesse sequer a pena uma visita, por isso avançámos para o boca-a-boca. E muito depressa surgiu esta casa, a um preço muito bom, central, acabada de remodelar.

 

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Parecia demasiado bom para ser verdade, por isso marcámos logo para ver a  e uma coisa saltou à vista assim que entrámos - uma sala com varanda e vista para os telhados do bairro (e, em dias descobertos, para o Cristo Rei). Na minha cabeça ecoavam as seguintes palavras: “por favor, que o resto da casa seja tão bom quanto a sala, que o resto da casa seja tão bom quanto a sala”. E era.

 

Foi a primeira e a única casa que vimos. A partir desse segundo tornou-se o nosso cantinho, muito minimalista mas ainda assim cheio de pormenores nossos. A cor predominante é o branco - é a minha cor favorita e transmite uma paz imensa. Em todos os sentidos, casa deve ser o sítio onde descalçamos os sapatos e deixamos todos os problemas fora da porta e os tons claros ajudam-me muito a ter essa sensação de refúgio.

 

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A varanda continua a ser a estrela da casa, já que as grandes janelas da sala deixam entrar uma luz imensa e deixam a casa com um brilho diferente dependendo das horas do dia. Finalmente comprámos uma mesinha, cadeiras e um guarda-sol, por isso temos jantado quase todos os dias lá fora enquanto vemos o pôr-do-sol.

 

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Gosto de ver a nossa casa como um work in progress permanente, feita de pormenores e pequenas coisas que vão fazendo sentido em determinada altura das nossas vidas. E como são os detalhes que realmente a tornam única, deixo-vos alguns dos meus favoritos.

 

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Contem-me tudo: que estilo adoptaram para as vossas casas?

As minhas pessoas // Guilherme

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“Tens noção que vais perder?”. Foi a primeira coisa que ele me disse quando me viu, cheio de bazófia e triunfo no olhar. A Jonas tinha-me convidado para jogar ao sério aqui no SAPO porque estavam a gravar uns vídeos de promoção aos festivais de verão com pessoas conhecidas (e, vá-se lá saber porquê, comigo também).

 

Não sabia quem ele era, mas tinham-me dito que era comediante. Para mim, com aquela frase inicial, pareceu-me apenas parvo. Mostrei-lhe que não gosto de perder e estivemos 1h10 a olhar um para o outro. Até àquele dia, eu não acreditava que o silêncio pudesse dizer grande coisa. Que, sem palavras, conseguíssemos conhecer-nos tão bem, fazer piadas e até marcar jantares. Nós fizemos isso tudo.

 

O nosso espaço tornou-se, logo ali, demasiado nosso para que alguém conseguisse demover-nos de estar apenas um com o outro. Ele tornou-se aquele sítio da casa em que deixo os sapatos assim que chego. O sítio em que não existe nada mais do que paz. Em que posso não falar, mas nunca deixa de faltar tema de conversa.

 

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É que o amor é uma coisa curiosa. Apanha-nos sem estarmos à espera. Fica a olhar para nós durante largos minutos - não para nos convencer, mas para nos dar tempo de nos apercebermos que já não há volta a dar. Chega devagar, mas mostra-nos que há mais nas pequenas coisas do que aquilo que conseguimos ver. 

 

Só que o amor também é muito como aprender a andar. É-nos natural, mas precisamos que nos expliquem como. Precisamos de confiar na pessoa que nos estende as mãos e diz "vamos". Precisamos de ter coragem para pôr um pé à frente do outro, mesmo que não saibamos muito bem o que raio estamos a fazer. Mais do que ter ajuda para chegar a algum lado, o amor é ter a certeza que podemos andar sempre em frente, para cima e para baixo, para os lados, para trás até.

 

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Faz hoje dois anos que joguei com o Guilherme ao sério pela primeira vez e só espero que haja sempre um empate técnico entre nós. De preferência, a andar sempre em frente e de mindinho dado.

 

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Este é o segundo post sobre as minhas pessoas: aquelas que fizeram e fazem de mim quem sou. As que ensinam - às vezes sem saberem - como andar neste sítio caótico que é o mundo. Espero que gostem tanto de as conhecer como eu gosto de as ter na minha vida.