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Rita da Nova

Ter | 14.09.21

Seven Days in June, Tia Williams

O que é que eu faço quando um livro com uma capa bonita e uma premissa promissora está a 1,99€ no Kobo? Compro, claro. Seven Days in June, de Tia Williams, veio cá parar numa dessas situações e achei que era um bom livro para “limpar o palato” entre leituras mais pesadas. 

 

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Seven Days in June conta a história de Eva e Shane, que na adolescência passaram sete dias juntos, num mês de Junho, e acabaram por se afastar. Quando crescem, ambos se tornam escritores: Eva é esforçada, mas não muito famosa; Shane é um escritor de renome, mas a recuperação de anos de alcoolismo deixam-no afastado do panorama literário. Quando se reencontram, num festival literário, acabam por reviver aqueles sete dias em Junho e percebem como essa semana os marcou profundamente – não apenas como pessoas, mas no seu futuro enquanto escritores. 

 

A capa e a sinopse prometiam uma leitura sexy, inteligente e com um toque de romance dramático, mas confesso que nem tudo me entusiasmou. O lado steamy do livro não é assim tão marcado – apesar de a protagonista ser escritora de livros eróticos – e sinto que a autora podia ter aprofundado ainda mais os detalhes trágicos da relação deles no passado e a forma como a escrita passou a ser uma forma de se encontrarem com as memórias desses dias. 

 

Women are expected to absorb traumas both subtle and loud and move on. Shoulder the weight of the world. But when the world fucks with us, the worst thing we can do is bury it. Embracing it makes us strong enough to fuck the world right back.

 

Eu até conseguia lidar com uma história que não fosse assim tão aprofundada, mas houve um aspecto que me irritou profundamente neste livro: o facto de tentar, parágrafo sim, parágrafo não, fazer algum tipo de comentário woke sobre a sociedade racista, machista e injusta em que vivemos. Gosto que seja actual, foi aliás um dos motivos que me fez querer lê-lo, mas sinto que não era preciso ser tão evidente nestes comentários políticos. O que eu quero dizer, é: o comentário político até podia estar presente no livro, mas poderia ser feito de forma mais inteligente, mais ligado à narrativa e à construção de personagens, e não ser apenas meia dúzia de frases aleatórias que as personagens dizem a meio de um diálogo. 

 

Se a sinopse e a capa vos despertam curiosidade, tal como me aconteceu, então diria que podem experimentar e tirar as vossas próprias conclusões – aliás, Seven Days in June tem-me aparecido muito (e bem recomendado) no TikTok, por isso pode ser que vos diga coisas que não me disse, ou que se consigam relacionar mais e melhor com ele. 

 

Infelizmente, acho que ainda não está traduzido para português, mas agora quero saber se já o conheciam e se faz parte da vossa lista de livros a ler!

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