Reviews Relâmpago #4
Não sei quanto a vocês, mas a vida continua a acontecer a uma velocidade descontrolada aqui deste lado — como assim, já estamos quase em agosto? Também não ajuda estar a andar sempre de um lado para o outro; confesso que perdi um bocadinho a noção de a quantas ando, mas pode ser que os próximos tempos me ajudem a parar e a recentrar-me. Apesar de tudo, tenho conseguido ler tanto quanto leio habitualmente, o que faz com que as reviews vão acumulando. Para travar o «entupimento», regresso a este formato de reviews relâmpago.
Mas bom, aqui fica a minha opinião sobre cinco leituras das últimas semanas:
One Day (PT: Um Dia), David Nicholls
Já não sei bem quando foi que dei com este livro numa daquelas banquinhas de livros em segunda mão na Rua da Anchieta, em Lisboa, mas sei que o comprei pela módica quantia de 5€. E depois dei mais 99 cêntimos para o comprar no Kobo — como alguns momentos-chave história se passam em Edimburgo, queria lê-lo durante a minha viagem à Escócia sem ter de andar de livro atrás.

Ora aqui está uma história de que eu teria gostado infinitamente mais se a tivesse lido quando saiu (2011) e/ou quando comprei. Percebo completamente porque é que é um favorito de tanta gente, e durante vários episódios consegui divertir-me muito (humor britânico no ponto), mas estou já numa fase da vida em que um romance destes — dois amigos com uma relação intermitente ao longo de vários anos — pouco me fascina. Gostei muito da estrutura do livro, e acredito que fosse ainda mais original aquando da sua publicação, mas fiquei sempre presa às atitudes infantis do Dexter. Só pensava: como é que uma miúda tão fixe como a Emma está tão presa a um parvo destes? E depois lembrei-me de que provavelmente eu também teria gostado muito desta personagem masculina em 2011. Lá está: o problema não é o livro, é a altura da vida em que o li. Ainda assim, estou muito curiosa com a mais recente adaptação para série — tem potencial para ser a minha nova companhia dos domingos à tarde.
The River Has Roots, Amal El-Mohtar
Que bela surpresa, esta! Comprei-o na Escócia, na The Highland Bookshop (que é amorosa, recomendo vivamente), porque adorei This is How You Lose the Time War, um livro que Amal El-Mohtar escreveu a meias com Max Gladstone. E este pequeno livro não desiludiu: conta a história de duas irmãs, Esther e Ysabel, que moram perto de um rio. Mas não é um rio qualquer, é um rio mágico, que separa a realidade delas de um mundo de fadas. Claro que tudo muda quando Esther se apaixona por Rin, e em última análise tem de decidir em que mundo viver.

Pode não ser uma narrativa original, mas tem, sem dúvida alguma, uma prosa lindíssima e uma maneira muito enternecedora de falar sobre a relação entre duas irmãs. Mesmo eu, que não leio muita fantasia, senti-me imediatamente transportada para este pequeno mundo, sem serem precisas páginas e páginas de construção nesse sentido. Vale muito a pena, e as ilustrações dão-lhe um toque extra.
The Bee Sting (PT: A Picada de Abelha), Paul Murray
Eu, obcecada com este livro? Não, que ideia. Quem diz é quem é! Agora a sério: porque é que eu estava com tanto medo de mergulhar neste livro? Talvez fosse o tamanho — é um pequeno calhamaço —, talvez fossem as reviews que fui lendo, que diziam que era uma história desnecessariamente densa. A verdade é que fui adiando, mas agradeço muito ao Discord do Livra-te, com quem fiz uma pequena leitura conjunta de The Bee Sting — de outro modo, era provável que ainda demorasse a chegar lá.

Os capítulos enormes podem assustar um pouco ao início, mas senti-me muito envolvida pela história. Cada parte do livro é narrada por um membro diferente da família que acompanhamos, e eu não estava preparada para ver as minhas crenças sobre as personagens a serem desconstruidas a cada novo pedaço de informação que ganhava. Sem querer dizer de mais sobre o enredo, digo apenas que é a história de uma família irlandesa, e de todos os segredos que cada membro é obrigado a esconder dos outros. Adorei a forma como as perspetivas se vão complementando, a maneira como o autor nos faz odiar e depois empatizar com cada uma destas pessoas, a introdução do contexto sociopolítico sem parecer que o estava a fazer… e amei o final. Há muito tempo que não lia um livro que me assoberbasse tanto pela positiva e que me fizesse ficar a olhar para o teto (e para teorias no Reddit) assim que o acabei.
The Gentleman from Peru, André Aciman
Há qualquer coisa nos livros de André Aciman que resulta sempre comigo, sobretudo os que me transportam para um verão italiano. Parti para The Gentleman from Peru sem quaisquer expectativas e, ao contrário das opiniões que fui vendo aqui e ali, funcionou muito bem para mim. Um grupo de ex-colegas de faculdade está de férias num hotel da costa amalfitana, e todos ficam curiosos com um homem que os observa sem nunca trocarem uma palavra. Certo dia, este homem apresenta-se e demonstra ter algumas capacidades um pouco estranhas, o que ainda intriga mais o grupo.

We never recover. Whoever bruised us left a mark that stays there forever. Do we ever recover from our parents? Or from the cruelty of our first arithmetic teacher? Or from someone loved in adolescence? You may seek to recover, and many of us are persuaded we have, until we realize that if we commit the same mistakes time and time again, it's not because we keep choosing the wrong partner or because we don't know how to love, but because new loves won't help us heal from that one ancient wound. All new love can do is mask the wound - and for some, this is good enough.
Não esperava uma história com realismo mágico, mas adorei ler o autor neste registo — além disso, histórias assim, sobre vidas passadas e destinos que têm sempre de se cruzar, independentemente da realidade em que vivam naquele momento, atingem-me sempre direto no coração. Só tive pena que fosse tão curto, queria ver estas personagens a interagir durante mais tempo. Pelo tamanho, cenário e história, é a companhia perfeita para um dia de praia.
The Summer Book (PT: O Livro do Verão), Tove Jansson
Mais uma leitura que é resultado da minha troca de livros com a Pat (🫰). Para julho queríamos livros que fossem boas leituras para a praia, histórias que nos tirassem da nossa realidade e ajudassem a mente a viajar. Ela emprestou-me este, que está por todo o lado este ano como sugestão dentro deste tema, e não falhou! Em The Summer Book acompanhamos a pequena Sophia e a sua avó, numa ilha isolada no Golfo da Finlândia. Mais do que um romance com uma estrutura linear, Tove Jansson apresenta-nos vários episódios veranis em que estas duas personagens interagem umas com as outras e com as (poucas) pessoas que existem à sua volta.

É um livro muito reconfortante, sobre o impacto que a relação entre avó e neta pode ter, principalmente quando há a possibilidade de passarem tempo juntas. Fala muito sobre o contacto com a natureza e o contacto entre gerações tão diferentes, sobre as coisas que as crianças podem aprender com os mais velhos e vice-versa. Gostei muito de as acompanhar, de ir espreitando as duas aventuras, e acho que é uma excelente leitura para quem quer uma história bonita, sem grandes reviravoltas, e que possa ser saboreada aos bocadinhos nesta altura do verão.
Ora contem-me lá: já leram algum destes? Ficaram com algum debaixo de olho? Vamos falar ali nos comentários! 👇


