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Rita da Nova

Seg | 26.11.18

Restaurantes // Geographia

Comida que fala português. É esta a proposta do Geographia, que abriu recentemente. Eu arrisco em dizer, depois de um jantar incrível, que não é só a comida que fala português por ali. Vamos lá ver: há muitos espaços novos por Lisboa, cada um com um conceito mais diferenciador do que o anterior, mas raros são aqueles que conseguem o que este conseguiu fazer comigo - transportar-me directamente para uma época que eu não vivi, não só através da comida, como de tudo o resto.

 

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É impossível entrar neste espaço e não sentir que, subitamente, estamos nos anos 50/60, auge da época colonial. E embora tenha havido muita coisa má nesta fase da história de Portugal (e do mundo), a verdade é que a gastronomia teve muito a ganhar. É curioso ver como o nosso país influenciou a forma de comer de muitos outros, mas também é fantástico perceber aquilo que estes outros países trouxeram à nossa comida. Se nos dias de hoje nos habituámos a comer comidas de outros locais, visitar o Geographia é perceber que essas trocas e influências fazem parte da nossa história há muito, muito tempo.

 

A decoração do restaurante foi a primeira coisa que me ganhou: está pensada ao pormenor e, mesmo assim, feita de uma forma interessante. Vamos descobrindo, aos poucos, os detalhes que a compõem. Nem tudo é explícito e isso é óptimo. O rinoceronte que aparece várias vezes ao longo da refeição é um símbolo do cruzamento de culturas dos países de expressão portuguesa. Chamava-se Ulisses e não teve o fim de história mais feliz do mundo, mas não vou estragar a experiência de uma ida ao Geographia contando-vos já tudo.

 

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Quero mostrar-vos, isso sim, aquilo que comemos nesta noite. Mesmo não tendo combinado, tentámos ao máximo evitar escolher pratos apenas portugueses. Fomos com vontade de experimentar coisas diferentes e não nos arrependemos. Para começar, enquanto decidíamos os países a conhecer, fomo-nos entretendo com o Couvert, que traz pão, manteiga, mandioca frita e um queijinho amanteigado alentejano.

 

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Depois de algum tempo, lá acertámos: nas entradas fomos pelo Dim Sum de minchi com molho de soja e mel, a representar Macau, e pelo Tártaro de lombo de atum com abacaxi, uma mistura de influências portuguesas e brasileiras.

 

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Sem combinar, os nossos pratos principais foram ambos caril. O Guilherme deixou-se levar pelas influências e sabores de Goa com um Caril de camarão à goesa com arroz de côco. Já eu, desci ao hemisfério sul e, numa pequena incursão por Moçambique, decidi-me pela Galinha do campo ao caril de amendoim - que estava, já agora, divinal.

 

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Amava ter viajado um bocadinho mais nas sobremesas do Geographia, mas as doses são tão bem servidas que nenhum de nós conseguiu. Oportunidades e desculpas não faltam para regressar a este restaurante: da Feijoada de sábado aos menus de almoço que mudam constantemente, passando por outras novidades que aí vêm, parece-me que vamos voltar mais depressa do que achamos.

 

E vocês, ficaram com vontade de experimentar a comida deste espaço e, já agora, descobrir a história do rinoceronte Ulisses? Quero saber tudo nos comentários!

 

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