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Rita da Nova

Qua | 11.09.19

Parabéns, Avózinha!

A minha Avózinha faz anos hoje. Não é a primeira vez (nem será a última) que vos falo dela por aqui - é impossível fugir a uma pessoa que foi e é tão importante para mim. Mas o motivo pelo qual as pessoas têm o 11 de Setembro tão presente na memória não é tão bom quanto o meu. Lembro-me perfeitamente de ver tudo a acontecer na televisão: tinha ido com a minha Avó para o trabalho porque as aulas ainda não tinham começado. Lá no consultório onde ela trabalhava, os pacientes, os acompanhantes e os funcionários começaram a acumular-se na sala de espera do fundo, a única que tinha televisão (para onde eu costumava ir ver os desenhos animados quando estava aborrecida).

 

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Não foi a imagem de ver um avião, e depois outro, a chocar contra um arranha-céus. Não foi o fogo que apareceu automaticamente, nem as pessoas que saltavam desesperadas de alturas impossíveis. Foi o silêncio que se instalou - primeiro naquela sala de espera, depois no dia inteiro. Todo aquele 11 de Setembro foram pessoas coladas às televisões, profundamente soturnas.

 

O meu 10º aniversário também estava à porta e eu só conseguia sentir que a minha Avó não estava a ter a atenção devida naquele dia. Fomos jantar fora e ninguém olhava para ela, continuavam todos de olhos presos na televisão e acho que foi a primeira e única vez em que não ouvi barulho num restaurante. Olhei para ela e estava a sorrir. Perguntei-lhe porquê. “Sabes, quando eu era muito pequena, a minha mãe disse que a minha data de aniversário não era nada, que eram só dois pauzinhos ridículos. Agora olha, vai ficar para a história.”

 

Nunca antes me tinha apercebido tão claramente desta capacidade que a minha Avó tem de deixar as coisas acontecer, de dar tempo à vida para ela se endireitar. Aprendi e aprendo muitas coisas valiosas com ela, que fazem de mim a pessoa que sou, mas acho que nenhuma é tão importante quanto esta: tudo se endireita, tudo se compõe - às vezes basta esperar.

 

Parabéns por mais um ano, Avózinha. Hoje prometo que não há televisão ao jantar.

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