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Rita da Nova

Palavras Cruzadas // Primeiro beijo

Durante a primeira hora (e dez minutos) em que nos conhecemos, não trocámos uma única palavra. Quer dizer, ele disse-me que eu ia perder aquele jogo e eu soube logo que ia ganhar - se não o jogo do sério, pelo menos qualquer coisa. A partir daí foi só silêncio e pode-se dizer muito sem dizer nada. Pelo menos pode-se imaginar, que quando se olha directo nos olhos de alguém é quase como se estivéssemos a dizer de facto qualquer coisa.

 

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Uma hora e dez minutos dá para imaginar muita coisa e um primeiro beijo é uma delas. Dá quase até para sentir como será, embora seja sempre preciso tirar a prova dos nove (como veio, aliás, a acontecer). Há uma magia qualquer na antecipação dos primeiros beijos - será que é agora? Devo dar sinais? Esperar que tomem iniciativa?

 

O nosso estava tomado como certo, restava saber onde e quando. Sabia lá eu que seria tudo menos como o imaginei durante aquele momento prolongado de silêncio. Sabia lá eu que iria ser depois de uma conversa sobre a naturalidade de tirar os sapatos assim que se chega a casa - e sobre como as relações, para serem acertadas, terem de ser assim.

 

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Este é o 21º post da rubrica Palavras Cruzadas, criada em parceria com o P.A., mas vocês também estão mais do que à vontade para pegar nos temas e escrever sobre eles. O tema desta quinzena foi ideia dele, por isso para a próxima quinzena sou eu a decidir. Que tal escrevermos do ponto de vista de um objecto que usamos muito no dia-a-dia? 

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