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Rita da Nova

Ter | 21.04.20

Os livros da Rita // The Heart's Invisible Furies, John Boyne

Há um conjunto muito específico de pessoas na minha vida que acertam sempre que recomendam algo para ler. Embora haja algumas pessoas a recomendar-me livros ou outras fontes de informação onde vou pesquisando, é com estas (poucas) pessoas que partilho exactamente o mesmo gosto. O Ricardo é uma dessas pessoas, por isso quando ele me disse que eu tinha que ler The Heart’s Invisible Furies do John Boyne, eu percebi que tinha mesmo mesmo que ser.

 

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Depois de termos falado sobre o livro eu fui duas vezes a Londres, mas acabei por não conseguir encontrá-lo nas livrarias que visitei. Ele disse que ia encontrar para mo oferecer, mas eu queria tanto ler que acabei por encomendar pelo Book Depository. Depois chegou esta quarentena, eu percebi que tinha tomado a decisão certa ao comprá-lo e que estavam reunidas as condições para me agarrar às suas mais de 700 páginas.

 

Estava à espera que fosse mais triste, porque uma das coisas que eu e o Ricardo partilhamos é esta adoração por histórias essencialmente tristes. Acho que é das poucas pessoas que conheço que vê tanta beleza e necessidade na tristeza quanto eu. Mas bom, achei que seria mais semelhante a um A Little Life e embora tenha a mesma envergadura, consegue, de certa forma, ser muito mais sarcástico e leve.

 

If there is one thing I've learned in more than seven decades of life, it's that the world is a completely fucked-up place. You never know what's around the corner and it's often something unpleasant.

 

Resumindo o enredo: The Heart’s Invisible Furies conta a história de Cyril Avery, que não é um Avery a sério porque foi adoptado (e os pais adoptivos gostam de o relembrar constantemente disso). A história de Cyril poderia ser um épico normal, uma vez que o acompanhamos desde 1945, ano em que nasce, até 2015. Mas Cyril Avery é homossexual e vive na Irlanda, onde supostamente “não existem homossexuais”, logo conseguem compreender que não é uma história fácil.

 

Maybe there were no villains in my mother’s story at all. Just men and women, trying to do their best by each other. And failing.

 

Mais do que uma história difícil, é uma história bonita e comovente sobre a forma como amamos os outros, independentemente do tipo de amor de que estamos a falar. E é também sobre como encontramos sempre forma de amar novamente, mesmo depois de nos terem partido o coração.

 

Se já é costume eu não querer revelar muito sobre as histórias dos livros de que falo aqui, neste então quero mesmo que sejam apanhados de surpresa e se apaixonem por este livro a cada página. Não se deixem assustar pelo tamanho do livro, nem pelo facto de ser um épico. Eu achei-o mesmo muito fácil de ler e, acima de tudo, cativante. No final da edição que comprei tem uma nota do autor, sobre o quão pessoal é este livro e foi aí que percebi porque é que tinha gostado tanto - as emoções e sentimentos são tão reais, que não poderiam ser meramente inventados por alguém que nunca viveu uma história assim.

 

Portanto é isso, vão ler; vão mesmo! Já tinham ouvido falar deste livro? O autor é o mesmo d’O Rapaz do Pijama às Riscas.

 

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The Heart's Invisible Furies by John Boyne

Avaliação: 9,5/10

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