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Rita da Nova

Os livros da Rita // Os Interessantes, Meg Wolitzer

Os Interessantes da Meg Wolitzer foi um dos livros que comprei este ano na Feira do Livro. Já andava com ele debaixo de olho há imenso tempo, mas estava à espera de uma oportunidade para o comprar mais barato. Foi totalmente a capa que me chamou a atenção, com as suas cores fortes. E sim, o título também teve um grande peso. Depois foi só ler a sinopse e decidi que queria muito ler.

 

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Conta a história de um grupo de adolescentes que se conhece num campo de férias, num Verão algures nos anos 70. Auto-intitulam-se “Os Interessantes”, tais são as capacidades criativas de cada um deles, e começam, desde aí, a planear uma amizade para a vida. Ao longo das quase 600 páginas deste livro, vamos percebendo como o destino de cada um se desenrola.

 

Li algures que a maior parte das emoções realmente intensas que alguma vez vamos sentir têm lugar mesmo por volta da nossa idade. E que tudo o que vem depois vai parecer cada vez mais diluído e desapontante.

 

O livro não tem um enredo do outro mundo, mas fala de temas que todos nós vivemos. Fala das expectativas e da pressão que pomos em nós mesmos desde cedo e de como, progressivamente, todos os planos vão caindo para dar lugar a outras coisas.

 

Toda a gente tendia a acreditar que tudo era culpa sua; talvez fosse apenas demasiado difícil imaginar, quando ainda se era relativamente novo, que algumas coisas no mundo não tinham nada que ver connosco.

 

Com este livro, Meg Wolitzer coloca-nos questões interessantes, como: quando é que se sabe que, afinal, não fomos feitos para ser aquilo que sempre achámos que seriamos? Ou: porque é que umas pessoas conseguem vingar e crescer na direcção certa e outras têm que se contentar com o que a vida lhes dá? E, mais importante ainda, como é que as pessoas vivem com a comparação constante com os amigos de infância?

 

Quando é que paro? Quanto tiver vinte e cinco anos? Trinta? Trinta e cinco? Quarenta? Ou agora mesmo? Ninguém nos diz durante quanto tempo devemos manter-nos a fazer uma coisa antes de desistirmos para sempre. E também não queremos esperar até sermos tão velhos que ninguém nos contrate noutra área qualquer.

 

Tinha ouvido falar mal do final do livro, porque não era memorável ou não estava à altura da história. Eu acho apenas que é como a narrativa, que retrata exactamente a vida como ela é sem grandes floreados.

 

E não era sempre assim - partes do corpo que não se alinhavam de acordo com a nossa vontade, resultando tudo um pouco ao lado, como se o próprio mundo fosse uma sequência animada de desejo e inveja e autodesprezo e grandiosidade e fracasso e sucesso, um cartoon estranho e interminável que era impossível de deixar de ver porque, apesar de tudo o que já se aprendera entretanto, continuava a ser tão interessante.

 

Já tinham lido este livro? O que acharam? E já leram mais alguma coisa da autora que me possam recomendar?

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Os Interessantes por Meg Wolitzer

Avaliação: 8/10
Semelhante a: A Little Life, de Hanya Yanagihara

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