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Rita da Nova

Seg | 18.03.19

Os livros da Rita // Gabriela, Cravo e Canela, Jorge Amado

Gabriela, Cravo e Canela. Mesmo quem nunca leu este livro, sabe que foi em tempos uma novela (duas, na verdade) e que esta história chegou a ser adaptada para filme. Era um daqueles clássicos que tinha na minha lista de livros para ler há demasiado tempo, comprei-o finalmente na Feira do Livro do ano passado e só peguei nele agora.

 

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Não há uma forma fácil de dizer isto: as minhas expectativas saíram um pouco goradas. Confesso que estava à espera de um Jorge Amado mais próximo daquele que conheci n’Os Capitães da Areia, ou seja, mais crítica social e menos crónica de costumes. Mesmo a história de amor entre Gabriela e Nacib é muito secundária face à história de Ilhéus, a cidade pano de fundo deste livro.

 

Percebemos que na década de 1920, esta pequena região na Bahia é fruto de um crescimento exponencial devido à exploração de cacau, e que muitas são as pessoas que decidem mudar-se para aproveitar esta vaga de prosperidade. Ainda assim, isso não significa que seja um local civilizado: incentiva-se que os homens traídos matem as suas mulheres e respectivos amantes, aceita-se que as mulheres se prostituam, incentiva-se a corrupção. Este aparente paradoxo foi aquilo de que mais gostei no livro.

 

Modificava-se a fisionomia da cidade, abriam-se ruas, importavam-se automóveis, construíam-se palacetes, rasgavam-se estradas, publicavam-se jornais, fundavam-se clubes, transformava-se Ilhéus. Mais lentamente porém evoluíam os costumes, os hábitos dos homens. Assim acontece sempre, em todas as sociedades.

 

A personagem de Gabriela não deixa de ser um raio de luz no meio de tudo isto, o que me leva à segunda coisa que mais me prendeu na história. Ao conhecê-la, Nacib faz dela sua cozinheira e apaixona-se ao ponto de a pedir em casamento. Assim que casam, Nacib tenta moldá-la ao que considera ser o ideal de mulher casada, mas Gabriela resiste e fica profundamente infeliz. Isto fez-me pensar no principal motivo pelo qual a maioria das relações falha, sejam elas de amor ou de outro tipo - porque tentamos fazer do outro algo que ele não é.

 

O amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem o seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor.

 

A escrita de Jorge Amado é muito envolvente - como aliás é a maioria dos textos escritos em português do Brasil -, mas houve ali qualquer coisa que me fez achar o livro bastante aborrecido e penoso a certos momentos. Talvez tenha sido a pouca importância dada à narrativa de Gabriela e Nacib, talvez tenha sido a carga política do livro, mas a verdade é que o achei bastante repetitivo. Diria que provavelmente o tinha aproveitado melhor se fosse mais conhecedora da história do Brasil.

 

E desse lado, quem já se aventurou neste livro? Tiveram a mesma sensação do que eu ou devoraram tudo com entusiasmo? Contem-me tudo na caixa de comentários!

 

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Gabriela, Cravo e Canela por Jorge Amado

Avaliação: 7/10

Semelhante a: Pantaleão e as Visitadoras, Mario Vargas Llosa

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