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Rita da Nova

Qua | 29.07.20

O Labirinto dos Espíritos, Carlos Ruiz Zafón

E parece que esta minha aventura pela saga Cemitério dos Livros Esquecidos chegou ao fim! Se só chegaram agora e não sabem do que estou a falar, eu resumo: depois de saber da morte de Carlos Ruiz Zafón, decidi fazer algo que já vinha a prometer há muito - reler este conjunto de livros incríveis, desta vez por ordem cronológica dos acontecimentos. Ou seja: O Jogo do Anjo, A Sombra do Vento, O Prisioneiro do Céu e, por fim, O Labirinto dos Espíritos (este último era o único que ainda não tinha lido).

 

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Com O Labirinto dos Espíritos senti alguma dificuldade em ficar logo presa à acção, uma vez que o autor nos dá a conhecer uma personagem completamente nova - Alicia Gris, uma jovem adulta que tem um passado com Fermín e vem dar um lado completamente novo à história. Ou seja, senti que foi quase como recomeçar a saga de uma perspectiva completamente diferente. Ainda assim, mal engrenei, não consegui parar até ter lido todas as páginas.

 

Soube desde o princípio que queria viver entre livros e comecei a sonhar que um dia as minhas histórias poderiam acabar num daqueles volumes que tanto venerava. Os livros ensinaram-me a pensar, a sentir e a viver mil vidas.

 

O que eu mais gostei neste livro - que se tornou, possivelmente, o meu segundo favorito da saga -, foi o lado mais meta da narrativa. Cuidado que esta parte pode ter spoilers! Basicamente, Carlos Ruiz Zafón vai-nos fazendo ficar alerta para o facto de as histórias terem diferentes portas de entrada e diferentes formas de serem contadas. Não apenas a ideia mais comum de que há sempre dois lados na mesma história, mas uma ideia que me parece mais real, que é a de haver infinitas formas de contar uma mesma história.

 

A revelação final de que Julian Sempere, filho de Daniel Sempere, ser o verdadeiro autor dos quatro volumes que compõem esta saga deixou-me a pensar na humildade de Zafón enquanto escritor. Porque a verdade é que os livros têm vida própria para além de quem os escreve - ficam com a vida de quem os lê (como o próprio do Cemitério dos Livros Esquecidos nos mostra) e ficam com a vida tão própria das personagens que o autor cria e que o ultrapassam. Isto para concluir dizendo que Zafón tinha, de facto, uma noção gigante do que é escrever e, mais do que isso, do que é amar livros.

 

Acho que esta minha pequena review se tornou um pouco mais profunda do que eu tinha idealizado, acho até que não tinha pensado bem nisto até o ter posto em palavras, mas se consegui que ficassem curiosos em ler esta tetralogia… então, missão cumprida. Para quem nunca leu nada do autor, recomendo que sigam a ordem de lançamento dos livros (A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo, O Prisioneiro do Céu e O Labirinto dos Espíritos), porque acredito que A Sombra do Vento é o melhor livro para se apaixonarem por ele. Caso já façam uma ideia, então sugiro a ordem cronológica porque senti que fez uma grande diferença na compreensão da narrativa (isso e ter lido todos seguidos, claro). Se optarem por esta via, basta inverterem a ordem dos dois primeiros).

 

Vá, agora contem-me: há alguém desse lado que eu ainda não tenha convencido a dar uma chance a este autor e, em especial, a esta tetralogia? Acusem-se!

 

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O Labirinto dos Espíritos por Carlos Ruiz Zafón

Avaliação: 8,5/10

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