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Rita da Nova

Qui | 14.09.23

Mr. Wilder & Me, Jonathan Coe

Estou de parabéns! Porquê, perguntam vocês? Eu explico: porque estou a conseguir focar-me na minha missão de ler os livros que estão há que tempos parados aqui em casa, no meu carrinho amarelo, à espera de serem lidos. Um dos objectivos de Setembro é ler todos os que me tinham sido emprestados, para poder devolvê-los finalmente à origem — até porque eu odiaria que alguém ficasse com livros meus durante tanto tempo, não posso fazer o mesmo.

 

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Foi assim que Mr. Wilder & Me (PT: Sr. Wilder & Eu), de Jonathan Coe, me veio parar às mãos: a minha amiga Patrícia (olá, Pat! 🙋‍♀️) tinha-o lido e, num dos nossos jantares, passou-mo para as mãos com a nota de que tinha gostado, que se lia muito bem e que eu era capaz de gostar também. Acertou em tudo, claro, já que foi uma leitura bastante fluida, que brinca com a realidade e com a ficção de uma forma muito engraçada.

 

Embora tenha o realizador Billy Wilder como centro, este livro é contado por Calista, uma mulher filha de pai grego e mãe inglesa, que sai de Atenas para passar uma temporada fora e acaba a cruzar-se com o realizador em Los Angeles. Alguns meses depois, é convidada para se juntar a ele na Grécia, como assistente e tradutora nas filmagens do filme Fedora. Não conto muito mais, mas é através dela que vamos conhecendo mais sobre esta figura tão importante na história de Hollywood — é interessante porque Calista não sabia nada sobre ele e eu, enquanto leitora, estava exactamente no mesmo patamar que ela.

 

Billy might have known it for several months by now, and I might only just have begun to grasp it, but we had both come to the same realization: the realization that what we had to give, nobody really wanted any more.

 

Contado alternadamente entre o presente (anos 2000) e o passado (anos 1970), vamos conhecendo duas versões diferentes desta personagem principal: no passado, uma rapariga jovem e com muitos sonhos; no presente, uma mulher mais madura, que foi capaz de cumprir alguns desses sonhos, mas que ainda se sente inapta numa série de coisas, nomeadamente na relação que tem com as filhas. Tem também excelentes reflexões sobre como a tecnologia impacta as diferentes gerações de criadores que coexistem — especificamente de cinema, neste caso, mas acredito que se aplique à arte nas suas mais variadas formas.

 

É um bom livro para estes dias em que o Verão está a terminar, mas acredito que seja ainda melhor quando estamos no pico do Verão (idealmente na praia), para que consigam envolver-se ainda mais com todas as descrições dos locais, sobretudo as ilhas gregas. Gostei da experiência de ler Jonathan Coe e fiquei com vontade de continuar: que outros livros dele recomendariam?