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Rita da Nova

Qua | 25.07.18

Madagáscar // O que saber

É só comigo que esta coisa de voltar de férias e ser logo engolida pela realidade acontece? Parece sempre o que me acontecia em pequena, de estar a sair do mar sem prestar atenção às ondas e acabar inevitavelmente arrastada por uma. Enfim, vocês percebem a ideia. Esta introdução toda serve para vos dizer que gostava de já vos ter falado do nosso casamento e da viagem a Madagáscar. E é por este último que vou começar, enquanto aguardamos as fotografias do dia. Parece-vos bem?

 

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Algumas pessoas fizeram a pergunta que, possivelmente, também está nas vossas cabeças: porquê Madagáscar? É uma questão legítima, já que não é um destino muito comum - sobretudo para uma lua-de-mel. Foi por isso que o escolhemos e a forma como o fizemos foi meio aleatória. Em cima da mesa estavam destinos como as Ilhas Gregas ou São Tomé e Príncipe. Chegámos até a atirar “Madagáscar” para o ar, mas decidimos confiar na sorte e ir a um site que randomiza destinos. Madagáscar fazia parte dos quatro que nos calharam e nós interpretámos isso como uma espécie de sinal.

 

A nossa lua-de-mel coincidiu com a semana de NOS Alive, por isso quisemos desde logo oferecer os nossos bilhetes a quem, no dia do casamento, adivinhasse o destino. Isto colocou-me logo muitos entraves no planeamento da viagem, uma vez que costumo pedir dicas e conselhos através das redes sociais. Isto a juntar ao facto de Madagáscar não ser muito turístico fez com que passasse muitas horas a ler blogs estrangeiros e fóruns de viagens.

 

Vou, obviamente, falar-vos em mais detalhe sobre os locais que visitámos e o que fizemos em cada um deles, mas hoje quero centrar-me naquilo que precisam de saber caso estejam a pensar visitar Madagáscar.

 

 

1. Antes de viajar

Vamos lá despachar aquela parte chata sobre todas as burocracias que as viagens para fora da Europa envolvem. É preciso um visto para entrar em Madagáscar, mas pode ser obtido no aeroporto, à chegada. Há vistos com preços diferentes consoante a duração da estadia e nós pagámos o mais barato - custa 35€, com direito à permanência até 30 dias no país.

 

Foi a minha primeira vez em África, por isso fiz questão de ir à consulta do viajante antes de partir. A consulta é cara e pintaram-me um cenário mais assustador do que aquele que depois encontrei em Madagáscar, mas ainda assim acho que vale a pena ir pelo menos uma vez. Embora não haja nenhuma vacina obrigatória para entrar no país, tomei a da hepatite A, febre tifóide e ainda a medicação para a malária. E ainda emborquei com uma vacina do tétano atrasada, para não me armar em negligente. Como se costuma dizer, mais vale prevenir do que remediar. Quanto aos medicamentos todos que recomendam: não usámos nada porque tivemos cuidado com as refeições e só bebemos e lavámos os dentes com água engarrafada, mas cada um saberá melhor como reage nestas situações.

 

 

2. Transportes

Para chegar a algum lado em Madagáscar é preciso uma de duas coisas: muito tempo ou muito dinheiro. Por vezes é mesmo preciso ambas. O país não tem um sistema de estradas minimamente desenvolvido, por isso distâncias de 100km demoram pelo menos 8h a percorrer de carro ou autocarro e a viagem será certamente desconfortável, com muitos abanões e saltos. Já os barcos para chegar às ilhas mais pequenas que existem ao longo das costas este e oeste de Madagáscar são caros, demoram bastante tempo e “há quando há”.

 

A minha recomendação, se tiverem essa disponibilidade, é que façam longas distâncias através de voos internos. A companhia aérea nacional, Air Madagáscar, pode parecer assustadora ao início, mas acreditem que vai ser a vossa melhor amiga se quiserem visitar mais do que um local. É claro que é preciso desde logo perceber que, em África, as regras são muito diferentes: é comum haver atrasos, cancelamentos e até voos que partem bastante mais cedo do que é suposto. Os aeródromos das cidades mais pequenas nem sempre inspiram segurança, mas connosco correu tudo bem.

 

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3. Dinheiro

Estamos em África, por isso tudo é bastante mais barato do que aquilo a que estamos acostumados. Ainda assim, há uma série de coisas que são incrivelmente mais caras do que estamos à espera. As viagens de barco, por exemplo, são caras por causa do combustível. Não há petróleo em Madagáscar, por isso a importação encarece tudo o que são transportes.

 

A moeda nacional é o Ariary (ar) e 1€ equivale a cerca de 3900ar. Ao contrário do que costuma acontecer, as casas de câmbio do aeroporto apresentam as mesmas taxas de conversão e comissões do que as que podem encontrar nas cidades, por isso recomendo que troquem logo dinheiro à chegada para facilitar tudo o que fizerem a seguir. Um alerta: saibam que no aeroporto de Antananarivo não é possível usar os Ariary assim que passarem a segurança para regressar. Não se esqueçam de voltar a trocar o que vos sobrar novamente para Euros antes disso.

 

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4. Alojamento

Esqueçam o Airbnb e, às vezes, até plataformas mais difundidas como o Booking. Eu cheguei a marcar alojamentos através de e-mail porque essa é a única forma viável de contactar os hotéis e lodges. Uma coisa é certa: é raro encontrar grandes grupos de hotéis em Madagáscar, mesmo na capital. O país recebe apenas cerca de 300 mil turistas por ano, por isso o turismo ainda é um actividade essencialmente familiar. Isto tem grandes vantagens, principalmente a de sermos tratados como se estivéssemos a ser recebido em casa daquelas pessoas.

 

Uma dica: procurem sempre quartos com ar condicionado e mosquiteiro sobre a cama, porque isso vai ajudar-vos naquele que será o maior desafio da viagem - não serem picados por mosquitos.

 

5. Conselhos de etiqueta

Os madagascarenses (ou malgaxes) são um povo muito interessante, sabem? Hei-de ter oportunidade de vos falar melhor sobre algumas pessoas que conhecemos, mas o facto de Madagáscar ser o país africano com mais influência asiática faz com que tenham características muito únicas. Não falo apenas da parecença física, que é uma mistura interessante entre a raça africana e a asiática, mas sobretudo na forma como se comportam.

 

A melhor palavra para os descrever é “cordiais”. Estava à espera de um calor diferente no tratamento, de mais proximidade, mas é curioso ver a influência asiática a ter um peso interessante na forma reverente e até tímida com que se dirigem às pessoas (pelo menos aos turistas). Têm um sentido de humor muito próprio e pontual, mas nunca têm a iniciativa de meter conversa connosco. Algumas regras de etiqueta importantes: nunca apontar directamente para as coisas com o dedo (usar antes o cotovelo ou a mão aberta), é de bom tom aceitar quando nos oferecem comida ou bebida (mesmo que pouco) e as demonstrações públicas de afecto entre casais não são muito bem vistas. Não é obrigatório, mas é bem visto se oferecermos gorjeta quando alguém nos ajuda com algo (carregar bagagem, encontrar um táxi, etc.).

 

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6. O que levar

Para além dos básicos - calçado confortável para caminhadas, pensos para bolhas, etc. - há algumas coisas que acho importantes levarem na mala:

> Repelente contra mosquitos: eu sei que estou a ser muito insistente com esta história, mas basta uma picada de um mosquito infectado com uma doença qualquer e lá se vão as vossas férias;

> Casaco para a chuva: isto é especialmente importante se quiserem visitar a costa este de Madagáscar, onde há a única floresta tropical do país. Costuma chover muito nesta área, sobretudo nos meses de Inverno (Junho-Outubro);

> Lanterna: uma das mais-valias de uma viagem a Madagáscar é poder observar fauna e flora que só existe ali. E há muitos animais nocturnos, desde espécies de lémures (mais de metade são noctívagas), sapos, pássaros, entre outros. É mais do que certo que vão querer fazer uma caminhada depois de escurecer, por isso não se esqueçam de levar uma lanterna convosco.

 

 

No próximo post sobre Madagáscar vou mostrar-vos a nossa primeira paragem: Maroantsetra e o Parque Nacional de Masoala, a maior área natural protegida de Madagáscar. Mas, até lá, digam-me: alguma dúvida ou questão que gostassem de ver respondida?

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