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Rita da Nova

Madagáscar // Maroantsetra

No dia a seguir ao nosso casamento apanhámos um avião com destino a Paris, onde fizemos escala durante a noite. Na manhã seguinte tínhamos um voo até Antananarivo (“Tana” numa versão mais curta), a capital de Madagáscar. Só que ainda não tínhamos chegado ao nosso destino final - depois de 3h de sono regressámos ao aeroporto de Ivato para apanhar um voo interno que nos levaria à nossa primeira paragem: Maroantsetra.

 

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A cidade fica na costa este de Madagáscar e tem cerca de 24 mil habitantes. É uma zona ainda muito remota e com poucos acessos por terra ou por mar (como já vos tinha dito, nem sempre é certo que haja barcos). A nossa única opção foi ir de avião, com uma escala de 2h em Sambava. Já tinha partilhado aqui o meu receio relativamente aos aviões da Air Madagascar, que pioraram depois de ter lido alguns blogs de viajantes. O primeiro voo (Antananarivo - Sambava) foi bastante tranquilo e o avião era bem melhor do que eu estava à espera.

 

Só quando chegámos ao aeroporto de Sambava é que percebi exactamente as opiniões que tinha lido. A pista é muito pequena e o espaço para aguardar também. A avioneta que nos levou até Maroantsetra era tão pequena que tiveram que nos pesar antes de embarcarmos, para garantir que não havia excesso de peso. Confesso que, por dentro, estava um bocadinho em pânico porque aquilo abanava por todos os lados. Mas depois passou-me o medo e adormeci.

 

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O aeroporto de Maroantsetra é ainda mais precário e é normal ver galinhas a passear junto às pessoas. À nossa espera estava o Aldin, o nosso guia para os dias seguintes. Percebemos que as quatro senhoras norueguesas que tinham vindo no mesmo voo que nós iriam também ficar hospedadas no mesmo sítio e que fariam o mesmo percurso pela floresta tropical. Achámos uma coincidência engraçada. Mais tarde viemos a perceber que só há três lodges em Maroantsetra e que, por isso, a probabilidade de ficarmos no mesmo sítio não era assim tão pequena.

 

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Maroantsetra e o Parque Nacional de Masoala são as zonas mais húmidas de Madagáscar, algo que pudemos verificar assim que pusemos um pé fora do aeroporto. A chuva foi uma constante durante as nossas férias, alternada com períodos de sol e calor intensos. “Bem-vindos à parte mais tropical de Madagáscar”, disse-nos o Aldin, numa de nos preparar.

 

Não se pode dizer que Madagáscar seja um destino propriamente turístico, por isso o melhor que há a fazer é confiar nos donos dos alojamentos e deixá-los criar o melhor plano possível para nós. Nesta primeira noite ficámos alojados no L’Hippocampe, um lodge gerido por um senhor francês e a sua mulher malgaxe.

 

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Durante a tarde, o Aldin levou-nos a conhecer o centro de Maroantsetra com um orgulho típico de quem mostra a cidade em que nasceu. Mostrou-nos uma espécie de sapos que só existem ali, os Tomato Frogs. Chamam-se assim pela cor vermelha intensa que apresentam e vivem especialmente bem em locais sujos. Quando se sentem ameaçados soltam um líquido tóxico que pode fazer uma reacção alérgica a humanos.

 

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Levou-nos também a conhecer o mercado de Maroantsetra, onde se vende de tudo um pouco: comida, roupa, aparelhos electrónicos, loiça, etc. Para a maioria das pessoas, ter uma banquinha no mercado é a única forma de subsistência, por isso é comum vê-las a acumular-se à beira da estrada para tentar ganhar algum dinheiro. Foi aqui que comprámos gabardinas para a chuva e lanternas, ambos muito necessários para os dias que iriamos passar na floresta.

 

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Na manhã seguinte fomos directamente para o Parque Nacional de Masoala, onde ficámos durante quatro dias. Os nossos guias Aldin e o Giberson acompanharam-nos e dormimos num segundo lodge gerido pelo casal do L’Hippocampe. Mas a experiência na floresta tropical vai ficar para outro dia. Até lá, já sabem: dúvidas ou perguntas são mais do que bem-vindas!