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Rita da Nova

Madagáscar // Antananarivo

Viajar não é só coisas boas, nem é fazer um esforço para gostar de tudo. A minha experiência em Antananarivo - a capital de Madagáscar e a última paragem da nossa lua-de-mel - serviu para perceber exactamente isso. Embora já tivéssemos feito algumas paragens no aeroporto da cidade, decidimos que só no último dia e meio é que iríamos ao centro para conhecer melhor a capital.

 

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Como escrevi no Instagram na altura da viagem, duvido seriamente que as palavras "bonita" e "encantadora" tenham sido usadas alguma vez na vida para falar de Antananarivo - Tana, para simplificar as coisas. Vou directa ao assunto: é feia, malcheirosa, poluída e, inacreditavelmente, com um ar mais pobre do que outros sítios que visitei em Madagáscar. Nem as pessoas são simpáticas, pelo menos a mim parecem-me só oportunistas (e eu não as condeno, faria o mesmo se precisasse de comer e visse nos turistas uma forma de ganhar dinheiro). Mas se me dou ao trabalho de escrever tanto sobre Tana é porque, de alguma forma, sei que o pôr-do-sol que vi ao subir a colina até ao bairro colonial vai ficar para sempre gravado na minha memória.

 

Ficámos alojados no Hotel Le Louvre, um dos poucos com algumas condições, o que só serviu para aumentar o desconforto que senti nas poucas horas que estivemos em Tana. Há uma disparidade tão grande entre o que se passa dentro e fora das portas dos hotéis. Até o ar que se respira me pareceu mais pesado e mais intenso nas ruas, sobretudo enquanto passeávamos pelos caminhos sinuosos do Mercado de Analakely.

 

A parte mais calma e que conseguimos aproveitar sem estarmos constrangidos foi o Lemurs' Park, que fica a cerca de 25km da cidade. É uma reserva que alberga nove espécies de lémures. Alguns deles, que até há bem pouco tempo eram aceites como animais de estimação, foram resgatados de casas ou salvos de algumas desflorestações. O objectivo é mesmo preservar as espécies, não só destes animais como de alguma flora endémica de Madagáscar. 

 

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Madagáscar é, como já tive oportunidade de dizer, um país muito pobre. E essa pobreza parece estar toda mais concentrada em Antananarivo, o que tem tudo a ver com o milhão e meio de pessoas que esta cidade alberga. À medida que passeava pelas ruas só me apetecia fugir, voltar ao conforto da minha casa, fechar os olhos a esta realidade. Mas a verdade é que viajar, mesmo não sendo só coisas boas, consegue mudar-nos muito. Mostra-nos coisas que nunca vamos viver e faz-nos valorizar aquilo que temos e nos parece tão pouco no dia-a-dia.

 

Chegam assim ao fim os relatos sobre a nossa viagem a Madagáscar, mas se ficaram com dúvidas ou questões por esclarecer, é só dizer!

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