Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Rita da Nova

Qui | 10.02.22

Laços, Domenico Starnone

Uma vez ia no carro com o Guilherme e ele estava a ouvir o podcast The Jeselnik & Rosenthal Vanity Project, onde, no final, os dois têm uma coisa chamada “Recommendation Station” — um espaço para recomendações de tudo e mais alguma coisa, normalmente séries, filmes, música e livros. Nesse episódio específico falaram do novo livro de Domenico Starnone e, mesmo não conhecendo o autor, fiquei automaticamente intrigada.

 

lacos-domenico-starnone.jpg

 

Porquê, perguntam vocês? Porque há rumores de que este autor esteja de alguma forma ligado a Elena Ferrante, diz-se que possa ser o marido dela ou, até, a verdadeira identidade da autora. Fui imediatamente procurá-lo, mas ainda não está traduzido para português e, então, decidi comprar Laços, um outro livro dele. [Uma nota sobre ler em inglês ou português, já que é uma pergunta que me fazem bastante, para mim a regra é simples: se o livro original é em línguas germânicas ou asiáticas, prefiro ler em inglês; se, pelo contrário, é em línguas latinas, prefiro a tradução para português.]

 

Laços é a história de uma família contada em três perspectivas: Vanda, a mulher, Aldo, o marido e Anna, uma das filhas do casal. Andamos sempre o passado e o presente, mas em dois momentos muito concretos da história desta família: no passado, a fase em que Aldo largou a família por se ter apaixonado por uma rapariga mais nova; no presente, o momento em que Vanda e Aldo, já velhos, chegam a casa depois de umas férias.

 

Aprendemos os dois que, para vivermos juntos, devemos dizer um ao outro muito menos do que aquilo que calamos.

 

É um livro pequeno, mas bastante intenso. Fala sobre o casamento, sobre a forma como as escolhas dos pais podem ter efeito na vida futura dos filhos, até em coisas que não pensamos que possam estar relacionadas, fala sobre memórias e sobre a maneira como modificamos as nossas lembranças do passado para nos sentirmos melhor no presente.

 

Entendo que possam achar que há aqui semelhanças com a escrita de Ferrante, mas, sendo honesta (e apesar de ter gostado muito deste) continuo a preferir os livros dela. Fico muito triste que ainda não haja outros livros de Domenico Starnone traduzidos para português, se calhar dou uma oportunidade à tradução inglesa de alguns títulos dele. Já o conheciam?