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Rita da Nova

Sex | 21.07.23

Homo Irrealis, André Aciman

Ultimamente tenho feito um esforço consciente para dar conta da pilha de livros não lidos que tenho em casa — embora já tenha estado mais descontrolada, a verdade é que me faz confusão ter ali tantos livros por ler. Assim sendo, decidi pegar na versão áudio de Homo Irrealis, de André Aciman, que comprei há uns anos na Feira do Livro de Lisboa.

 

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Na realidade, a vontade de ler finalmente este livro veio do último audiolivro de que vos falei, What My Mother and I Don’t Talk About, que conta com um ensaio de André Aciman. Vai daí, lembrei-me de que tinha este esquecido há algum tempo e lá fui. Só então descobri que os textos reunidos neste livro têm em comum o facto de serem sobre momentos em que o autor se debruçou sobre aquilo a que chama “irrealis mood” — uma expressão que vem da linguística, onde é usada para agregar todos os modos verbais que existem para nos referirmos a acontecimentos que não existem ou existiram.

 

Most of our time is spent not in the present tense, as we so often claim, but in the irrealis mood—the mood of our fantasy life, the mood where we can shamelessly envision what might be, should be, could have been, who we ourselves wished we really were if only we knew the open sesame to what might otherwise have been our true lives.

 

André Aciman diz, então, que ele é uma espécie de Homo Irrealis, uma vez que parece viver sempre na antecipação de qualquer coisa, na projecção do que talvez esteja por vir (ou talvez não). Os ensaios reunidos neste livro referem-se a momentos em que o autor se confrontou com esta propensão. Identifiquei-me muito com esta forma de estar na vida, eu própria, no meu íntimo, resvalo para isto, para a tendência de ficar perdida nos “e ses” da vida, mais do que no que está realmente a acontecer.

 

Porém, senti apenas que os textos eram muito próximos um dos outros nas conclusões. Ou seja, mesmo que os contextos ou os momentos que abordavam fossem completamente diferentes, achei-os bastante semelhantes, o que me leva a recomendar que os leiam de forma mais espaçada e não num curto espaço de tempo como eu fiz. É definitivamente um daqueles livros para ir lendo.

 

Já tinham ouvido falar deste livro? Também gostam do que André Aciman escreve fora da ficção?

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