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Rita da Nova

Havana: abandonada, mas cheia de vida

Há muito para vos contar e mostrar sobre Havana, mas a primeira coisa que quero que saibam é a seguinte: tenho mixed feelings em relação a esta cidade. Talvez o melhor seja, ainda assim, começar pelo princípio.

 

Chegámos a Havana na noite do Dia dos Namorados e tudo estava num autêntico reboliço (sim, é um dia que eles levam demasiado a sério). O nosso plano era dormir essa noite no Airbnb e, na manhã seguinte, alugar um carro e partir à descoberta de Vinãles. Se leram o primeiro post que fiz sobre Cuba, então já sabem o que se passou a seguir: não havia carros para alugar e, por isso, ficámos mais um dia pela capital até percebermos como nos iriamos deslocar pela ilha.

 

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O Maykel, o hóspede do nosso Airbnb, mostrou-se logo disponível para nos mostrar algumas das pérolas escondidas e locais menos turísticos da cidade. Foi bom começar a explorar Havana com a companhia de alguém que nasceu e cresceu em Havana. Neste post vão poder encontrar um apanhado dos sítios que mais gostei na cidade, desde monumentos a praças, passando obviamente pelos restaurantes. A divisão que vão encontrar corresponde à divisão geográfica da cidade. Com sorte acabam de ler este post com uma vontade incontrolável de marcar uma viagem para a conhecerem também.

 

 

La Habana Vieja

Ou Vieja Linda, como muitos lhes chamam. Esta é a parte mais antiga da cidade e corresponde àquilo que Havana era originalmente. Como em toda a cidade, os edifícios estão quase todos em mau estado, as ruas são sujas e na maioria das vezes cheira mal. Parece um cenário de guerra, com a particularidade de não ter havido lá nenhuma guerra de facto. E acho que foi isto que mais estranhei mas que, ao mesmo tempo, mais me apaixonou: a convivência perfeita entre a alegria das pessoas e a tristeza da paisagem.

 

Nesta zona da cidade as ruas são mais apertadas e sinuosas, mas os prédios são todos de cores diferentes, o que faz com que nunca seja aborrecido percorrê-las a pé. Aliás, não são só os prédios que fazem com que um passeio por La Havana Vieja seja cheio de vida: as pessoas falam alto, cantam, dançam, ouvem música, convidam-nos a comprar qualquer coisa. E mesmo que não compremos, envolvem-nos numa conversa de genuína curiosidade sobre quem somos, de onde vimos e o que estamos a achar de Cuba.

 

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Mesmo que o vosso objectivo seja passear sem destino definido, simplesmente para absorver a atmosfera da cidade e a simpatia dos cubanos, há alguns locais que não podem mesmo perder. Falo sobretudo de praças: a Plaza Vieja, a Plaza de San Francisco de Assis, a Plaza de Armas e a Plazuela de Santo Domingo. Mas também da Basilica de San Francisco e do Parque Cristo, onde vão ver as pessoas a juntar-se depois de um dia de trabalho ou quando a escola termina.

 

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Saibam que é bem provável que vejam muitos prédios em obras. É que, com o reconhecimento de Havana Velha como património da humanidade pela UNESCO, tem sido feito um esforço cada vez maior por reabilitar e manter os edifícios em bom estado, conservando obviamente a traçada original e tão distintiva.

 

Mas também é aqui que podem encontrar a maioria das tourist traps, sobretudo no que diz respeito aos restaurantes. Há pelo menos dois que testei e posso assegurar que são bons: o La Imprenta, que apesar de ser um pouco mais caro do que a média dos restaurantes em Havana, tem comida muito boa e um espaço espectacular, e a Creperie Oasis Nelva, uma pequena casa de crepes salgados ou doces aberta por dois jovens cubanos muito simpáticos. Se lá forem, não podem perder o crepe de goiaba com queijo creme.

 

E, claro, não poderia deixar de vos falar de dois locais icónicos desta parte da cidade: a Bodeguita del Médio e o La Floridita. Hemingway costumava dizer: "My mojito in La Bodeguita, my daiquiri in El Floridita." e vale a pena conhecer estes dois bares nem que seja só por isso. Não vai é ser fácil encontrar um lugar para se sentarem, porque estão ambos sempre cheios. Confesso que gostei mais do El Floridita, até porque nesta viagem percebi que gosto de daiquiris e, então, todas as desculpas eram válidas para entrar lá e beber um.

 

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Centro de Havana

A Havana Velha e o Centro de Havana são separadas pelo Paseo del Prado, possivelmente a parte mais bem conservada da cidade. O nosso Airbnb ficava exactamente neste lado da cidade, bem perto do Parque Curitas e do Bairro Chinês, por isso rapidamente estamos em qualquer lado a pé. Como não tinha pequeno-almoço incluído, íamos muitas vezes ao Passeo del Prado para comer qualquer coisa de manhã, normalmente na Sociedade Espanhola ou, bem perto, no Hostal Pelegrino. Lá podem comer que nem reis por apenas 5CUC por pessoa, mesmo que não estejam lá hospedados.

 

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Nesta separação entre as duas áreas vão encontrar o Parque Central com o Monumento José Martí, uma praça muito bem conservada e muito bonita, rodeada pelos principais hotéis da cidade. Podem subir até ao terraço de qualquer um deles para observarem uma vista incrível da cidade.

 

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O Centro de Havana é uma das zonas mais vibrantes da capital, por isso é onde está grande parte dos restaurantes particulares mais inovadores. Recomendo-vos dois: o El Asturianito, que fica mesmo em frente ao Capitólio num prédio que aloja três restaurantes (onde podem comer uma Ropa Vieja e um Aporreado maravilhosos) e o Casa Miglis, que passa despercebido à passagem, mas que tem uma decoração muito gira e é dos poucos restaurantes a servir comida vegetariana e vegan.

 

Um passeio pelo Centro de Havana não fica completo sem uma visita ao Museu da Revolução, onde podem encontrar uma série de documentação e relatos sobre a revolução cubana. Mesmo tendo algumas noções da história deste país, vale sempre a pena acompanhar os acontecimentos com mais detalhe através de recortes de jornais, documentos oficiais e objectos pessoais das principais figuras da revolução. É claro que este é, possivelmente, um dos museus mais tendenciosos da história, mas ao mesmo tempo permite-nos calçar os sapatos dos cubanos e ver a história da perspectiva deles.

 

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Fora do Centro

A cidade alberga, no seu todo, mais de 3 milhões de pessoas e, como podem calcular, não estão todas apenas em Havana Velha ou no Centro de Havana. Nos anos 50, Havana era uma das três maiores metrópoles do continente americano e isso ainda se nota no tamanho e imponência da cidade. À volta daquilo que é considerado o centro histórico, há uma série de locais - uns mais e outros menos turísticos - que merecem uma visita.

 

Começo por Casablanca, do outro lado do porto de Havana, acessível através de autocarro ou de barco. Como foi o Maykel quem nos levou lá, conseguimos lugar num barco não-turístico (a Lanchita de Casablanca), pago em pesos cubanos, que nos deixou do outro lado em poucos minutos. Lá podem visitar o Cristo de La Habana, a Fortaleza de San Carlos de la Cabaña e o Castillo de los Trés Reyes del Morro, mas, na minha opinião, o melhor de ir àquele lado é poder ter uma vista panorâmica sobre a cidade.

 

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Um marco incontornável (é quase uma piada, visto estar numa espécie de rotunda) é a Plaza de la Revolución. Fica relativamente longe do centro, mas ir lá é também uma excelente desculpa para andar de Cocotáxi. Quando lá chegarem vão perceber do que falo e, acreditem, mesmo que pareça pouco seguro, é muito divertido. Segundo percebi, antes era possível subir à torre que fica mesmo no meio da praça, mas actualmente já não está aberta ao público. Tentem ir ao fim do dia, quando o sol já se está a por, porque a praça ganha uma magia especial nessa altura do dia.

 

Desengane-se quem acha que em Havana só se faz vida de cidade. A pouco mais de 20km do centro podem encontrar as Playas del Este, que são autênticos paraísos escondidos. A areia é clarinha, a água é de um azul quase transparente e o autocarro até lá custa apenas 5CUC (ida e volta). Podem apanhá-lo mesmo em frente ao Hotel Inglaterra e em menos de meia hora estão na praia. E sim, com direito a espreguiçadeira e palhota por meia dúzia de tostões.

 

Para terminar - e porque isto já está longo que se farta -, não posso deixar de falar do Malécon, o paredão que começa entre Havana Velha e o Centro de Havana e que acompanha a costa da cidade ao longo de cerca de 8km. Para além de ser um passeio fantástico, é também um dos locais onde os cubanos se juntam nas horas de menor calor para ouvir música, dançar, conversar e beber cervejas fresquinhas. Se o vosso objectivo for conhecer os locais e conversar com eles, então o Malécon vai ser o vosso lugar favorito.

 

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Brevemente vou falar-vos do destino que mais gostei de conhecer em Cuba - Viñales. Mas por enquanto, contem-me: já estiveram em Havana? Se sim, do que gostaram mais? Se não, que locais têm mais curiosidade de conhecer?

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