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Rita da Nova

Ter | 26.09.23

Half of a Yellow Sun, Chimamanda Ngozi Adichie

Comprei a minha edição de Half of a Yellow Sun (PT: Meio Sol Amarelo), de Chimamanda Ngozi Adichie, num dos primeiros périplos de fiz pelas livrarias londrinas. Foi na altura em que descobri a autora e sabia que queria ler tudo o que escrevesse — ainda assim, este livro foi ficando para trás na lista de prioridades e só agora, demasiados anos depois, achei por bem escolhê-lo para o Clube do Livra-te.

 

half-of-a-yellow-sun-chimamanda-ngozi-adichie.JPG

 

Continuo a gostar muito da Chimamanda — isso não está em causa! —, mas tenho de admitir que, até agora, foi a obra dela de que menos gostei. Lembro-me de Americanah me ter fascinado e de ter ficado completamente destruída depois de ler Purple Hibiscus, então talvez as expectativas estivessem demasiado elevadas para este livro. Não quero com isto dizer que seja um mau livro, admito que pode ter-se dado o caso de eu não estar mentalmente preparada para um romance tão histórico ou de a agitação da minha vida não se coadunar com a atenção que Half of a Yellow Sun exige.

 

Neste livro, a autora leva-nos aos anos 1960 e explora a tentativa e a luta para estabelecer uma república independente na Nigéria — o Biafra. E fá-lo de uma maneira que lhe é muito característica, através das vidas de três personagens: Ugwu, um rapazinho que é empregado de um professor universitário; Olanna, o interesse romântico desse professor, que largou uma vida de privilégio na capital para perseguir os seus ideais; e Richard, um homem inglês branco que se apaixona pela gémea de Olanna. Ou seja, vamos aprendendo mais sobre o conflito interno na Nigéria (e sobre as influências externas de outros países) através da maneira como estas personagens se cruzam e relacionam.

 

And it's wrong of you to think that love leaves room for nothing else. It's possible to love something and still condescend to it.

 

A parte mais positiva desta experiência foi, sem dúvida, saber mais sobre esta guerra e compreender a origem e a curta existência do Biafra, que só conhecia de nome. Reconheço que não estou tão informada sobre a história de África quanto gostaria e que a leitura de livros como este é uma das maneiras que tenho de ultrapassar essa ignorância. Também gostei muito das personagens dos criados, como Ugwu — senti que eram as mais genuínas e as que conseguiram mostrar os efeitos devastadores que esta guerra teve nas classes mais desfavorecidas.

 

Ainda assim, foi o livro mais denso que li da autora — mesmo que já tenham tido experiências prévias com ela, deixo esse alerta. Acho que é preciso estar num certo estado de espírito para nos deixarmos embrenhar nesta história e eu nem sempre estive. Vale muito a pena, sim, mas o meu conselho é que avaliem se é a leitura certa para vocês, já que pode ser um pouco penosa se não for “o livro certo no momento certo”. Acho que este é um daqueles que vou querer reler mais tarde, para conseguir ligar-me mais à história e dinâmica entre personagens, já que estive mais focada nos eventos históricos.

 

E vocês, também acompanharam esta leitura ou já tinham lido? Se sim, qual a vossa opinião?

 

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O que é o Clube do Livra-te?

É o clube do livro do podcast Livra-te — calma, não precisam de acompanhar o podcast para participar nas leituras. Todos os meses, cada uma de nós escolhe um livro para ler em conjunto convosco e vocês podem optar por ler a escolha da Joana, a escolha da Rita ou ambas. Depois, podem deixar a vossa opinião no grupo do Goodreads ou no Discord. Podem juntar-se a qualquer altura, venham daí!

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