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Rita da Nova

Qui | 29.01.26

Half His Age, Jennette McCurdy

A minha vontade de ler Half His Age foi flutuando: estava muito curiosa quando foi anunciado; depois vi algumas reviews menos boas, e esmoreceu; depois vi que estava disponível no Audible, e que era muito curtinho, e por isso decidi fazer dele a minha companhia para um dia mais atarefado — entre fazer escala na associação de gatos onde sou voluntária, passando por várias horas de condução e algumas arrumações em casa, acabei por ouvir tudo em cerca de 24h.

 

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Jennette McCurdy é a autora de I’m Glad My Mom Died (PT: Ainda Bem Que a Minha Mãe Morreu), um livro autobiográfico sobre viver com uma mãe altamente narcisista, cujo objetivo de vida era, desde muito cedo, fazer da filha uma estrela de televisão, independentemente do custo que isso tivesse. Foi um dos primeiros audiolivros que ouvi, também narrado pela própria autora, e lembro-me de ter adorado tudo: a narração, o sarcasmo, o modo como abordou uma relação complexa sem vergonha. Mesmo sabendo que Half His Age era um livro de ficção, esperava pelo menos o mesmo estilo mordaz de escrita e uma narrativa envolvente. Possivelmente, as expectativas elevadas não ajudaram muito, mas, no final, terminei a leitura a sentir que era um livro bastante mediano.

 

Waldo tem dezassete anos, uma relação difícil com a mãe e uma tendência para comprar tudo o que vê na Internet. É uma rapariga bastante solitária, que, de um momento para o outro, fica obcecada com Mr. Korgy, o seu professor de escrita criativa. Ele não é particularmente atraente ou charmoso, mas Waldo fica obcecada e quer envolver-se com ele. O resto é história, e tem todas as bases deste género de história: envolvimento, dinâmicas complexas de poder, abuso desse mesmo poder, etc. De forma resumida, posso dizer que já li tudo isto (e melhor) noutros livros, como My Dark Vanessa (PT: Minha Sombria Vanessa).

 

É claro que existe, pelo menos em algumas partes, o sarcasmo a que a autora nos habituou — e isso foi muito positivo —, mas as personagens pareceram-me todas lineares e pouco profundas, quase como se fossem estereótipos. E, num livro que está mais assente no estudo de personagens do que no enredo, esta construção tem de ser mais bem feita. Para mim, não basta que a forma seja engraçada e provocadora, se depois não sinto que haja verdade no conteúdo.

 

Em resumo, não recomendaria propriamente esta leitura, a não ser que tenham mesmo muita curiosidade. A vantagem é que é bastante curto e muito fácil de ler. Já alguém leu? Se sim, o que acharam?