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Rita da Nova

Ter | 14.05.24

For the Love of Men, Liz Plank

Tinha este audiolivro guardado no Everand há coisa de dois anos, mas nunca surgia a oportunidade de o ouvir. Como a aplicação tem tido poucos audiolivros que realmente me interessam — é só de mim ou o catálogo está fraquinho? — acabei por recuperar este e fiz dele a minha companhia de várias viagens de carro e intensas escalas no abrigo de gatos.

 

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For the Love of Men, de Liz Plank, propõe uma abordagem mais mindful e menos tóxica à masculinidade. O que é que isto significa? No fundo, que enquanto sociedade criemos um espaço seguro para redefinir o que é que a masculinidade realmente significa, longe dos preconceitos que a nossa cultura impõe. A autora, que fez uma extensa investigação na área, mostra como é que os moldes em que a masculinidade é entendida — o homem não pode chorar, tem de ser o ganha-pão da família, etc. — prejudica a nossa sociedade. Por exemplo: esta dificuldade dos homens em aceder às suas próprias emoções, porque isso lhes foi negado, faz com que sejam eles os principais autores de crimes violentos, como tiroteios em massa ou violações.

 

Enquanto o papel da mulher tem sido redefinido constantemente nos últimos anos, os papéis de género do homem têm-se mantido mais ou menos na sombra, sem que haja uma discussão para compreender como é que toda a gente pode beneficiar do feminismo e de todas as coisas positivas que traz à sociedade.

 

Gostei muito da forma como o livro está estruturado e de perceber que se baseia em investigação e dados concretos — de certa forma, recordou-me da experiência que tive com Invisible Women (PT: Mulheres Invisíveis), de Caroline Criado Perez, um livro que definitivamente mudou a minha forma de pensar o mundo em que existimos. Vou deixar algumas citações, para vos convencer de que devem mesmo ler este livro:

 

The biggest lie is that the fight to address male suffering is separate or at adds with the battle to liberate women. We all experience gender. We are all limited by oppressive gender stereotypes.

It reveals itself in the way we're more comfortable with the image of a boy playing with a toy gun rather than a boy playing with a toy doll, because we're more comfortable seeing a boy hold something that kills rather than something that cries.

Being a man felt less like an identity and more like a job or a reward you received only after going through excruciating circumstances. The men we spoke to felt an unforgiving pressure to perform their masculinity constantly. Being a man was something you earned.

Shame creates lies about how men should think and act, and when men don't fulfill those roles, they have additional shame. We see it play out in one of the greatest and most-ignored crises of our times: homelessness. We largely see it as an economic problem, because it is. It's a result of a lack of economic mobility and opportunity as well as a housing crisis, but it's also enabled by the lies we tell about men.

 

Podia estar aqui o dia todo, mas acho que já perceberam a ideia. Por isso, contem-me: ficaram com vontade de o ler?