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Rita da Nova

Qui | 24.03.22

Everyday Sexism, Laura Bates

Acho que nunca tinha sublinhado tanto um livro — no Kobo, claro — como fiz com Everyday Sexism, da Laura Bates. E provavelmente não me teria cruzado com ele se não fosse a nossa próxima convidada do Livra-te (ainda segredo 🤫) a recomendá-lo, mas ainda bem que o li.

 

everyday-sexism-laura-bates.jpg

 

Neste livro de não-ficção, Laura Bates explora exaustivamente as situações em que as mulheres (e também os homens) são sujeitas a atitudes sexistas de forma recorrente e diária. Grande parte das histórias e entrevistas que a autora partilha são consequência de um projecto com o mesmo nome, em que as pessoas eram incentivadas a partilhar os seus testemunhos — via formulário ou até através do Twitter. Acho que esta foi uma das coisas de que mais gostei na experiência de ler o livro: o facto de as opiniões da autora serem quase sempre suportadas, quer por estatísticas, quer por histórias reais.

 

A autora dividiu os capítulos em vários temas, como a mulher no local de trabalho, a maternidade, o que é ser uma rapariga, o que é andar na escola e na universidade enquanto mulher, etc. Nos primeiros capítulos senti alguma repetição dos temas, mas rapidamente compreendi as motivações que estão por detrás deste detalhe constante na escrita da autora — é que, apesar de ter sido publicado em 2014, o livro ainda me parece demasiado actual. As atitudes, o abuso, os comentários... é como se fosse escrito sobre coisas que se passam nos dias de hoje, o que acaba por ser um pouco assustador.

 

Rape is not a sexual act; it is not the result of a sudden, uncontrollable attraction to a woman in a skimpy dress. It is an act of power and violence. To suggest otherwise is deeply insulting to the vast majority of men, who are perfectly able to control their sexual desires.

 

Não vou mentir: terminei a leitura mais desanimada do que quando comecei, mas este não é um livro para divertir, é um livro para relembrar que ainda há muito caminho por percorrer, que o feminismo é relevante e que estes temas devem mesmo continuar a ser trazidos à luz, para que sejam cada vez mais desmistificados. Tenho mesmo muita pena que não esteja traduzido para português porque sei que muitas (e muitos) de vocês iriam gostar de o ler — mas, se estiverem afim disso, o inglês não é assim tão complicado.

 

Já conheciam a autora, o livro e o projecto que lhe deu origem? Contem-me tudo nos comentários!

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