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Rita da Nova

Ter | 22.12.20

Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto, Mário de Carvalho

Mário de Carvalho é um daqueles autores portugueses de que sempre ouvi falar bem, mas de quem nunca tinha lido nada. Não pensem que era por falta de ter livros dele cá em casa: comprei Um Deus passeando pela brisa da tarde na Feira do Livro de Lisboa deste ano e o livro de que vos venho falar hoje, Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto foi-me oferecido há alguns anos pelo aniversário. 

 

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Desde que fiz aquele trabalho de catalogar os livros cá de casa, tenho pegado em muitos que foram oferta de amigos ao longo do tempo, mas que deixei esquecidos por algum motivo. Não sei se esta foi a melhor escolha para me iniciar na obra do autor, senti alguma dificuldade em entrar não só na narrativa, mas, acima de tudo, na escrita. Era bom que trocássemos umas ideias sobre o assunto é um daqueles livros que nos conta várias histórias paralelas, antecipando que eventualmente estas se vão cruzando e fazendo sentido como um todo. Não tem propriamente um enredo definido, anda mais em torno da vida e do dia-a-dia das diferentes personagens, mostrando as suas vontades, desgostos, desamores e tantas outras coisas. 

 

Este é um daqueles livros para nos apaixonarmos mais pela forma do que pelo conteúdo. Se ao início, como disse, tive dificuldade em adaptar-me à escrita do autor, com a leitura facilmente me habituei àquele narrador sempre presente, que brinca com a ideia de narrativa e a traz para cima da mesa, quase que explicando o trabalho e papel que a voz do narrador deve ter. 

 

O Nunes já vai atender, porque os livros não é como na vida, e as pessoas estão sempre em casa quando são precisas, à mão do autor totalitário. Também é assim nos filmes, em que os automobilistas encontram sempre um lugar a jeito para estacionar, mesmo no centro de Lisboa. Imaginem as voltas e o esforço em que eu me veria enrolado se o Nunes não estivesse disponível. Teria que repetir telefonemas, encontrar mais situações, mais pretextos, mais conversa e, enquanto assim se ia gastando papel, com ele iria gastando também a paciência do leitor, que participa da natureza dos bens escassos. 

 

Diverti-me muito com este narrador e com a mestria da escrita de Mário de Carvalho. Fiquei com vontade de continuar e sei que, brevemente, pegarei em Um Deus passeando pela brisa da tarde. Se já conhecem mais obras do autor, que outros livros me recomendam? Deixem todos ali 👇

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