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Rita da Nova

Ter | 06.02.24

Early Morning Riser, Katherine Heiny

Apaixonei-me por este livro mal vi a capa e o título, mas não consigo explicar bem porquê. Talvez sejam as cores, talvez seja o facto de aludir a uma característica muito minha, a de gostar de acordar cedo. De qualquer das formas, algo me puxou para Early Morning Riser, de Katherine Heiny, só que depois aconteceu o que acontece sempre: sinto uma urgência muito grande em comprar um certo livro e demoro meses a lê-lo. É uma das coisas para mudar este ano, definitivamente.

 

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Mas bem, sobre o livro: centra-se em Jane, que se muda para uma pequena cidade no Michigan e se apaixona por Duncan. Qual o problema? É que ele é o protótipo de engatatão: é provável que já tenha namorado ou tido um caso com todas as mulheres da terra ou das terras à volta. Pior ainda: Duncan continua a ser amigo e homem de mil ofícios da sua ex-mulher Aggie — apesar de ela ter voltado a casar, é Duncan quem arranja coisas em casa dela, quem corta a relva, quem a ajuda em momentos de necessidade.

 

All parents want to hear good things about their children, but sometimes you had to say bad things. If you said the bad things to subtly, the parents didn't believe you. If you said the bad things too baldly, the parents got upset. Actually, they often didn't believe you anyway and then they got upset, too. It was like having an intervention for an alcoholic every twenty minutes for an entire working day.

 

Sei que, dito assim, parece um romance básico, focado em amores e desamores, mas é muito mais do que isso. É uma história sobre o que acontece quando encontramos uma família improvável nos amigos e vizinhos; sobre as relações estranhas que estabelecemos, mas que, ainda assim, funcionam; sobre nem sempre querermos as mesmas coisas que as outras pessoas das nossas vidas. Gostei da Jane e do Duncan, mas fiquei completamente apaixonada pelas personagens secundárias — Aggie, que tinha tudo para que a odiasse, Gary, o seu marido doido, e Jimmy, provavelmente a personagem mais especial de todas.

 

Embora tenha algumas surpresas aqui e ali, Early Morning Riser acaba por ser uma história mais focada no dia a dia destas personagens ao longo dos anos, o que às vezes o pode tornar um pouco lento. Ainda assim, transportou-me completamente para o Michigan, para as casas daquelas pessoas, para as suas dinâmicas. Optei pela versão em audiolivro e não me arrependi: a narradora é dinâmica e vai fazendo entoações diferentes consoante as personagens, por isso, apesar de ainda serem algumas, nunca nos confundimos.

 

Já tinham ouvido falar deste livro? E, se já conhecem a autora, que outros livros dela me recomendariam?