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Rita da Nova

Seg | 08.04.19

Dividimos a Conta // Rute Obadia no El Bulo

Estar com a Rute é, inevitavelmente, acabar a viajar sem sair do mesmo sítio. Não apenas porque a conversa vai sempre parar às viagens, mas sobretudo pela forma sensorial como ela nos descreve o que viveu à volta do mundo. Foi, portanto, muito natural para mim que ela tivesse escolhido o El Bulo para o nosso jantar - as paredes coloridas deste armazém convertido em restaurante condizem que o optimismo que a Rute tem perante a vida.

 

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Conhecemo-nos à mesa, num almoço de imprensa, e - como ela disse uma vez - a empatia foi imediata. Aliás, soube que este Dividimos a Conta ia correr muito bem quando, mal nos sentámos, a Rute começou a falar das experiências gastronómicas que teve na Colômbia - um dos destinos que mais a surpreendeu. “Já tinha experimentado sabores latinos, mas foi a primeira vez que experimentei aquele tipo de sabores. Consegues sentir todos os sabores de todos os ingredientes, sobretudo naquela envolvência em que tudo te sabe de forma especial.”

 

Cartagena, em especial, foi memorável. “Para além da decoração e do ambiente de festa, não houve um único restaurante onde eu não tivesse gostado da comida”, conta-me, enquanto recorda os ceviches, o polvo e os diversos petiscos que foi provando durante a viagem. Foi tão especial que, três anos depois, ainda tem todos os sabores muito presentes na memória.

 

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Talvez a Rute não se aperceba disto, mas as memórias sensoriais - sobretudo as ligadas à comida - parecem acompanhá-la desde sempre. “Tenho uma memória muito nítida, que tem a ver com sopa de feijão com massinhas com letras. Eu detestava e a minha avó, para nós passarmos a gostar, dizia que era sopa de chocolate. Lembro-me também de uma espécie de brigadeiro de coco, que a mãe da minha melhor amiga de infância fazia e embrulhava assim num papel vegetal de cores. Estávamos sempre à espera de haver as festas para comermos aquilo.”

 

Segundo ela, o crescimento, a maturidade e a abertura às diferentes culturas que caracterizam as viagens são os principais responsáveis pelas mudanças que o seu paladar foi sofrendo ao longo dos anos. Se ao início era capaz de passar uma viagem a comer apenas pizzas, a sua fast food favorita, rapidamente percebeu que é impossível criar identidade com os países sem se provar algumas comidas típicas. E sim, isso implica experimentar coisas como escorpião. “Comi já tão enojada, que nem sequer sei a que é que sabe, nem consegui usufruir”, conta, a rir-se.

 

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Gosta de recordar alguns sabores e conhecer novos, mesmo não estando em viagem. Os restaurantes bonitos e fotogénicos - como é o caso do El Bulo - prendem sempre mais o seu olhar de fotógrafa. É esses que prefere conhecer, mas depois há também aqueles que recomenda de caras e onde não se importa de regressar vezes sem conta: o Dinastia Tang para comida chinesa, o Segundo Muelle para comida peruana e o Nikkei para uma fusão de japonês com peruano.

 

Apesar de organizar viagens de assinatura à Índia (entre outros destinos), confessa que não é grande aficcionada da comida indiana. “A não ser quando faço reencontros com grupos que levei à Índia. Aí sabe-me bem, mas em geral não são sabores que me apeteça comer.” Até porque, quando lá estou, acabo por enjoar um bocado dos sabores tão fortes.” Está então explicado porque é que escolheu um restaurante sul-americano e não um indiano para o nosso jantar!

 

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É até possível que, num próximo encontro à mesa, a Rute queira ir a um sítio completamente diferente - possivelmente uma tasca com bons petiscos. “Eu sou muitas versões de mim mesma: tenho fases, não tenho hábitos constantes. Mas se te puder dizer uma coisa que me caracterize, é a comida simples. Gosto de experimentar várias coisas, mas se me deres a escolher vou sempre dizer para irmos a uma tasca. Ou comer petiscos num final de dia de praia, à conversa com amigos, ainda cheia de sal da praia.”

 

Se quiserem ir acompanhando as aventuras da Rute, basta acompanhá-la pelo Instagram ou através do The Blondie Traveler, onde escreve sobre as viagens e os destinos que conhece. Vai ser impossível conhecerem melhor o trabalho dela sem ficarem com vontade de pegar nas malas e partir. Ainda esta semana planeio mostrar-vos tudo aquilo que comemos neste jantar (acreditem, não foi pouco). Até lá, digam-me: gostaram de conhecer melhor a Rute?

 

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1. Refeição favorita? Pequeno-almoço.

2. Cozinhar ou comer fora? Comer fora.

3. Um restaurante de sempre? Pedra da Casca. 

4. Uma moda gastronómica de que até gostas? Sushi. 

5. Algo que cozinhas especialmente bem? Pratos de massa. 

6. Uma alergia? Abacate (intolerância). 

7. Chá ou café? Café, só com leite. 

8. Uma comida do mundo? Ceviche. 

9. Um restaurante que querias que se mantivesse segredo? A Merenda, uma padaria na Parede. 

10. Dividir a conta ou cada um paga o que comeu? Dividir a conta, desde que os outros não abusem no vinho. 

 

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Este post faz parte da rubrica Dividimos a Conta. Todos os meses convido uma pessoa para almoçar ou jantar fora em restaurantes Zomato Gold, para conversarmos sobre a sua relação com a comida. O que gosta, o que não gosta, o que aprendeu a gostar, mas manias, as receitas de família… enfim, o que surgir. A parte boa é que, com a Zomato Gold, temos sempre direito a um prato grátis a compra de outro (e se usarem o código RITADA, têm 25% de desconto na subscrição de qualquer pacote).

 

[Todas as fotografias deste post são da autoria da Margarida Pestana.] 

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