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Rita da Nova

Desafio 1+3 // Coragem para dizer adeus

Já falei várias vezes aqui sobre a importância de dizer que não. Fui aprendendo, ao longo do tempo, que é importante sabermos definir-nos pela negativa: por aquilo que não somos e o que não queremos. E esta definição inclui forçosamente saber que tipo de pessoas queremos ter nas nossas vidas e quais queremos que saiam.

 

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Atenção: não quero fazer disto um post shangri-lá e todo motivador, sobre as energias que atraímos e as que repelimos. Falo de uma coisa muito mais visceral, que é a coragem de pormos pessoas fora das nossas vidas, sobretudo se estivermos a falar de família. Tive a sorte de nascer numa família pouco tradicional e de ter aprendido naturalmente que não temos que nos dar com as pessoas só porque nascemos na mesma família.

 

Mas isso é fácil quando falamos de tios afastados ou primos em vigésimo grau. Não é tão simples assim quando essa pessoa é, por exemplo, a nossa mãe. Algumas pessoas saberão disto, a maioria talvez não saiba, mas eu não mantenho uma relação com a minha mãe. Não nos vemos, não nos falamos, e isso foi uma decisão mais do que consciente.

 

Demorei muito tempo a perceber que vivia melhor sem ela do que na luta constante de encontrar uma forma positiva para a presença dela. Doeu muito, passei uma fase muito negativa e culpei-me demasiado pelo facto de as coisas não resultarem entre nós. Nessa altura percebi que precisava de ajuda de alguém de fora e procurei-a, antes que fosse demasiado tarde. Fazer terapia foi uma das melhores decisões da minha vida: ajudou-me a conhecer-me melhor e a perceber que me culpava por mais coisas do que devia.

 

Tornei-me surda a argumentos como “mas é a tua mãe”. É a minha mãe, sim. Sempre foi e sempre será; é uma verdade biológica incontestável. Mas quando uma relação, seja ela de que natureza for, faz mal à pessoa mais importante das nossas vidas - nós mesmos -, então é preciso ter coragem de repensar os moldes dessa relação. Talvez seja uma perspectiva egoísta para alguns de vocês, mas eu encontrei paz nela e estou finalmente bem com isso.

 

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Este post insere-se no Desafio 1+3, lançado pela Carolina do blog Thirteen. A ideia é falarmos de nós mesmos, sempre com um olhar crítico sobre as nossas atitudes, crenças e gostos. Todos podemos participar e não há regras ou datas fixas. Cada um escreve quando e sobre os temas que quiser, dentro daqueles que forem sendo lançados pela Carolina. Juntam-se a nós? Basta enviarem um e-mail à Carolina para participar!

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