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Rita da Nova

Sex | 06.05.22

Crying in H Mart, Michelle Zauner

Podem fechar 2022, que eu acho que já li o melhor livro deste ano. Chama-se Crying in H Mart, de Michelle Zauner, e posso garantir que me chegou ao coração de uma maneira que eu não esperava — até porque é não-ficção, um género com que não costumo relacionar-me desta forma. 

 

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Neste livro, a vocalista da banda Japanese Breakfast conta o processo de perder a mãe para o cancro. Podia ser apenas uma descrição bastante detalhada desse período triste da sua vida, que é, mas ela vais mais além e explora sempre as memórias através da comida — a mãe era coreana e a comida sempre foi uma forma de demonstrar afecto na família.

 

Cooking my mother's food had come to represent an absolute role reversal, a role I was meant to fill. Food was an unspoken language between us, had come to symbolize our return to each other, our bonding, our common ground.

 

Arrisco em dizer que achei este livro quase perfeito, acho que nunca tinha lido algo assim: algo que me deixou emocional, mas ao mesmo tempo cheia de vontade de experimentar todos os pratos e ingredientes coreanos que iam sendo descritos. Decidi ouvir durante as viagens de carro que fizemos na Islândia, já que o audiolivro é narrado pela autora, e posso dizer que estive com as lágrimas nos olhos do início ao fim. Está escrito de uma forma muito bonita e comovente, mas ao mesmo tempo com a coragem necessária para pôr alguns sentimentos mais difíceis por palavras — como o receio de não pertencer a lado algum quando se perde a nossa principal ponte para as nossas origens.

 

Some of the earliest memories I can recall are of my mother instructing me to always ‘save ten percent of yourself.’ What she meant was that, no matter how much you thought you loved someone, or thought they loved you, you never gave all of yourself. Save ten percent, always, so there was something to fall back on.

 

Nota-se que escrever este livro foi essencial para que Michelle Zauner conseguisse lidar com o luto, uma vez que vamos acompanhando todo o processo, desde os momentos mais tristes àqueles em que começou a haver alguma luz ao fundo do túnel. Se forem sensíveis a estes temas, se calhar o melhor é irem com cautela e lerem (ou ouvirem) um pouquinho de cada vez.

 

Este é daqueles que vou certamente querer comprar em versão física, para daqui a uns tempos ter a experiência de ler em vez de ouvir. Desse lado, quem já conhecia o livro? Se o leram, o que acharam? Quero muito conversar sobre ele!

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