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Rita da Nova

Ter | 23.02.21

Burial Rites, Hannah Kent

Em 1829 deu-se a última execução na Islândia – Agnes Magnúsdóttir e Friðrik Sigurðsson foram condenados à morte depois de terem assassinado dois homens. A história que serve de ponto de partida para Burial Rites, de Hannah Kent, é absolutamente verdadeira e tornou-se quase parte do folclore islandês. Nunca tinha ouvido falar deste livro (nem da história), mas a Pat sabia o quanto me custou cancelar a nossa viagem à Islândia no ano passado e, por isso, ofereceu-me esta possibilidade de viajar um bocadinho através deste livro. 

 

burial-rites-hannah-kent.jpg

 

A parte interessante desta reimaginação da história é que a autora escolheu mostrar-nos o ponto de vista de Agnes que, antes de cumprir a sua sentença, é acolhida por uma família com proximidade do Governo, onde passa os seus últimos dias. É nessa estadia que, a pouco e pouco, Agnes vai revelando um pouco do seu lado dos acontecimentos, através de conversas com a família ou com o Reverendo Assistente que escolhe para a acompanhar nos seus últimos dias. 

 

To know what a person has done, and to know who a person is, are very different things.

 

O livro é escrito de uma forma muito crua e cinzenta, como imagino que sejam alguns dias no norte da Islândia – o assassinato aconteceu em Illugastaðir, no noroeste da ilha. Tem algumas descrições quase viscerais e muito duras de ler, mas o tema também não é a coisa mais tranquila do mundo, não é? Acima de tudo, Hannah Kent faz-nos pensar na culpa, na forma como julgamos precipitadamente e na importância das segundas oportunidades. 

 

E fez uma coisa que eu adoro, que é contar uma história do ponto de vista daquela que seria, supostamente, a má da fita. Contudo, a única coisa que achei não tão bem feita, foi o facto de alternar várias vezes entre a voz de Agnes e um narrador omnipresente – acho a ideia interessante, mas não havia nenhum tipo de indicação visual ou separação óbvia entre as duas coisas e, então, forçou-me a estar sempre “alerta” para essa mudança de visão. 

 

Não vos quero contar muito do enredo para não estragar a forma como a escritora imaginou que era esta mulher, bem como a relação entre todas as pessoas que, de certo modo, estiveram envolvidas neste assassinato. Quer tenham ou não um fascínio pela Islândia, acho que vale a pena conhecer o lado ficcionado deste acontecimento real. Já tinham ouvido falar dele? 

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