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Rita da Nova

Qui | 13.06.24

Blue Sisters, Coco Mellors

Sabem quando um livro que antecipavam com entusiasmo não só corresponde às expectativas (já de si altas) como ainda as supera? É com grande felicidade que vos informo que me aconteceu com Blue Sisters, o segundo livro de Coco Mellors, que se tornou o favorito do ano até agora e, sem dúvida, um dos favoritos da vida.

 

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Estou de tal modo apaixonada por este livro que, mesmo passadas semanas de o ter lido, ainda me é complicado expressar de forma clara aquilo que senti — as emoções vêm sempre ao de cima, mas prometo que vou tentar. Começo por recordar que eu já tinha adorado Cleopatra and Frankenstein (PT: Cleópatra & Frankenstein), o livro de estreia da autora, mas sinto que deu aqui vários saltos de qualidade a vários níveis.

 

Neste livro acompanhamos as irmãs Blue — Avery, Bonnie e Lucky — um ano depois da morte de uma quarta irmã, Nicky. Avery mora em Londres, é advogada e a irmã mais velha, logo a que sente a responsabilidade de tomar conta das outras e de parecer perfeita aos olhos delas, mesmo que na sua intimidade esteja completamente desfeita; Bonnie está em Los Angeles e é uma lutadora de boxe que deixou de competir aquando da morte da irmã; Lucky percorre o mundo na sua carreira como modelo — e na vida decadente que isso acarreta —, mas passa mais tempo em Paris. Quando os pais acham que é a altura de vender o apartamento da família em Nova Iorque, as três irmãs têm de voltar a casa para o reencontro, não apenas umas com as outras, mas sobretudo com a perda de Nicky e consigo mesmas.

 

A sister is not a friend. Who can explain the urge to take a relationship as primal and complex as a sibling and reduce it to something as replaceable, as banal as a friend? Yet this status is used again and again to connote the highest intimacy. My mother is my best friend. My husband is my best friend. No. True sisterhood, the kind where you grew fingernails in the same womb, were pushed screaming through identical birth canals, is not the same as friendship. You don’t choose each other, and there’s no furtive period of getting to know the other. You’re part of each other, right from the start. Look at an umbilical cord—tough, sinuous, unlovely, yet essential—and compare it to a friendship bracelet of brightly woven thread. That is the difference between a sister and a friend.

 

Adorei o desenvolvimento de personagens, tanto das irmãs como das pessoas que gravitam à volta delas, e achei que Coco Mellors dedicou a atenção necessária a cada uma delas — faz-nos compreender o ponto da vida em que estão, os seus problemas e a forma como estão a fazer o luto de Nicky. Nenhuma delas é perfeita, arriscaria até em dizer que a autora nos mostra maioritariamente a pior parte de cada uma delas, mas nada é injustificado e faz-nos torcer para que todas fiquem bem.

 

Blue Sisters explora muito bem a irmandade e a forma como ter irmãos define e molda aquilo que nós somos — e eu não consigo sequer imaginar o que seja sofrer a perda de um irmão, mas sinto que acedi a várias emoções verdadeiras através deste livro. Há vários outros temas explorados ao longo da narrativa, mas a adição é talvez um dos mais importantes: todas as irmãs são ou foram viciadas em algo, e muitas vezes essa adição é só uma forma de tentar viver num mundo onde tantas coisas difíceis lhes acontecem. Coco Mellors já falou abertamente sobre ter tido um problema de alcoolismo (e sobre estar sóbria há vários anos), pelo que não posso deixar de ficar sensibilizada com o facto de ter trazido para este livro um assunto que claramente lhe é muito íntimo e pessoal.

 

Não vou apontar nenhum defeito a este livro porque, mesmo havendo alguns, eu não reparei ou consegui desvalorizar por tudo o que a história me estava a fazer sentir. A única parte menos boa para mim foi ter acabado porque eu queria continuar com as Blue Sisters durante mais tempo.

 

Quem desse lado já leu este livro? Que outras histórias sobre irmãs me recomendariam?

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