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Rita da Nova

Qui | 26.11.20

Between the World and Me, Ta-Nehisi Coates

Sabem aqueles livros que vos oferecem, mas acabam por ir ficando eternamente à espera de ser lidos? Between the World and Me, de Ta-Nehisi Coates, foi um desses casos. Acho que me foi oferecido no Natal de há dois (três?) anos e só agora, depois de ter organizado as minhas estantes, é que voltei a dar-lhe atenção e a dar-lhe prioridade na infindável lista de coisas para ler.

 

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É um livro de memórias escrito em forma de uma carta que Ta-Nehisi Coates dirige ao filho de 15 anos, onde explora o que é ser-se negro na América e todo o processo intelectual por que passou para encontrar o seu lugar no mundo. Ao mesmo tempo que demonstra uma preocupação grande com o filho e todo o contexto em que está a crescer, aconselhando-o da melhor forma possível, o autor não está cá com ilusões de que o mundo vai subitamente ficar mais justo e inclusivo. Para alguns a sua visão pode até ser bastante pessimista, mas eu achei apenas que tem muita consciência do que viveu e do que ainda está por vir.

 

Between the World and Me tem pouquíssimas páginas, mas ensinou-me conceitos e ideias muito interessantes. Um deles é o facto de o autor sentir que o corpo dele - o corpo negro - não é bem dele, que pode ser-lhe retirado e “usado” por qualquer pessoa, de forma agressiva.

 

But race is the child of racism, not the father. And the process of naming “the people” has never been a matter of genealogy and physiognomy so much as one of hierarchy. Difference in hue and hair is old. But the belief in the preeminence of hue and hair, the notion that these factors can correctly organize a society and that they signify deeper attributes, which are indelible—this is the new idea at the heart of these new people who have been brought up hopelessly, tragically, deceitfully, to believe that they are white.

 

É uma leitura bastante dura, sobretudo pela carga pessoal que tem - Ta-Nehisi Coates conta-nos a sua experiência nesta busca pessoal pela ordem num mundo tão caótico e injusto, muitas vezes a custo de passar por tantas coisas difíceis. Mas é uma leitura que vale a pena e que continua a fazer sentido, mesmo depois de o movimento Black Lives Matter ter perdido o fogo. Pelo menos do meu lado, sinto que é uma educação constante e estas leituras ajudam imenso.

 

Quem desse lado já tinha ouvido falar do autor e deste livro em concreto?

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