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Rita da Nova

Berlim: a parte alternativa da cidade

Na semana passada falei-vos da parte histórica - e até turística - de Berlim, por onde passeámos no primeiro dia do fim-de-semana. Hoje chegou a altura de mostrar a outra faceta desta cidade, um lado mais alternativo que é tão típico quanto os monumentos antigos e a história da cidade. Como já tive oportunidade de explicar, como só tínhamos 48 horas para explorar a cidade, deixámos a Berlim alternativa para o segundo dia.

 

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Antes de partilhar convosco o plano que seguimos, convém que saibam uma coisa: as formas de arte alternativa são, na Alemanha, tão valorizadas quanto as artes mais clássicas. Falo de street art, graffitis, rap battles e horas seguidas de música techno. Com a queda do Muro de Berlim, no final dos anos 80, Berlim era na verdade duas cidades muito distintas e estas formas de expressão ajudaram a que as pessoas se voltassem a unir e a formar a cidade como a conhecemos hoje.

 

Dia 2: Berlim Alternativa

Controlei-me muito para não começar novamente o dia no Zeit Für Brot, para verem o quanto gostei daqueles cinnamon rolls. No nosso Airbnb havia uma folha com algumas dicas de sítios ali à volta e estava lá um café para pequeno-almoço que eu já tinha encontrado nas minhas pesquisas antes da viagem. Chama-se Haferkater e a especialidade são as papas de aveia com tudo o que possam imaginar.

 

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Neste segundo dia fazia mais frio e chuviscava, o que não nos impediu de andar cerca de 40 minutos até lá. Quando chegámos percebemos que um pequeno-almoço quente e reconfortante era tudo o que estávamos a precisar para começar bem a manhã.

 

Mesmo depois de, no dia anterior, termos batido com o nariz na porta da exposição The Art of Banksy, decidimos que não íamos embora de Berlim sem a visitar. Quando terminámos o pequeno-almoço já chovia bastante, então atravessámos quase toda a cidade de metro até chegarmos ao Bikini Berlim, o centro comercial e galeria de arte que aloja a exposição. Nunca tinha visto tantas obras do Banksy juntas e só serviu para gostar ainda mais dele e para entender o contexto de algumas das suas intervenções.

 

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A única certeza que tínhamos nesse dia era a de fazer uma tour dos Sandeman chamada Berlim Alternativa, depois de almoço. Como já tive oportunidade de dizer, esta organização tem outros programas para além da free walking tour e esta custou-nos 14€ por pessoa e durou cerca de 3h. Como tínhamos pouco tempo, foi uma excelente forma de ver os principais locais de street art da cidade.

 

Antes de embarcarmos nesta tour com o guia Mark - londrino, a viver há quase uma década em Berlim - consultámos a lista de sítios onde almoçar e optámos pelo Pacifico Buns & Burgers. Aqui serve-se comida de fusão, numa mistura perfeita entre a costa da Califórnia e a Coreia. Pode parecer estranho, mas acreditem que é tudo delicioso. Se tiverem a oportunidade de lá ir, não podem perder as batatas doces fritas.

 

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Está claro que andámos mais 40 minutos a pé, para desmoer o almoço, não sem antes tirarmos uma fotografia numa das milhentas máquinas Photoautomat que existem em Berlim. Não podem deixar de fazer o mesmo quando visitarem esta cidade, já que estas máquinas constituem já uma espécie de tradição. Podem, inclusivamente, consultar aqui onde é que estão localizadas.

 

Na tour passámos por vários pontos importantes para a cultura alternativa da cidade, mas como o guia fez questão de mencionar várias vezes, este cenário está sempre a mudar. Ao contrário das obras de arte clássicas, uma peça de street art tem uma duração média de 6 meses. Se voltarmos a fazer esta tour daqui por dois anos, é provável que já não voltemos a ver as mesmas coisas.

 

Começámos por perceber como é que a zona de Hackescher Markt passou de terrível à zona mais concorrida da cidade e, ali bem perto, visitámos uma galeria de arte que fica mesmo ao lado do Café Cinema. Basta entrar por uma passagem e vão logo ver as paredes todas pintadas com as mais diversas técnicas, desde stencils, a colagens, passando por graffitis e obras maiores.

 

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Conhecemos também a RAW, uma mini-aldeia povoada por bares de techno e hip-hop, galerias de arte, lojas de tatuagens e muita arte urbana. Para arranjar uma comparação mais perceptível, é quase uma LX Factory em esteróides. Tinha inclusivamente uma obra do Bordalo II, um tucano gigante todo feito em lixo (como é seu apanágio). 

 

Não podíamos terminar a tour sem passar pela East Side Gallery, junto ao Rio Spree. Para quem não sabe é uma extensão de quase 1,5km do antigo Muro de Berlim convertido numa galeria de arte ao ar livre. Em 1990, no ano seguinte à queda do muro, o que restava dele foi dado a artistas de várias nacionalidades para pintarem obras com mensagens de liberdade. 

 

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Era suposto a tour terminar ali, mas o Mark levou-nos à zona de Mariannenplatz, actualmente uma das mais cosmopolitas de Berlim, para ver mais duas obras grandes feitas em prédios. Terminada a tour, como ainda tínhamos tempo antes de irmos jantar a um sítio muito especial, resolvemos visitar a Alexanderplatz e a Berliner Dom, dois marcos que nos tinham escapado no dia anterior. 

 

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Queria muito levar o Guilherme ao Santa Maria, um restaurante mexicano onde já tinha estado na altura do inter-rail. Foi aqui que passei uma das noites mais divertidas e memoráveis deste mês a viajar pela Europa, por isso queria muito que ele conhecesse o sítio. Mas sabia que, por ser pequeno e não fazer reservas, enche muito rapidamente. Lá conseguimos um lugar a um cantinho e senti-me a reviver alguns dos momentos de há cinco anos. Sabe tão bem partilhar memórias com as pessoas de quem gostamos, não é? Não podia ter escolhido um sítio melhor para terminar este fim-de-semana em Berlim. 

 

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E vocês, conhecem algum dos sítios de que falei por aqui ou ficaram com vontade de conhecer? Deixámos muito por ver, claro, mas assim já temos uma desculpa para voltar brevemente. Se ainda não tiveram oportunidade, podem ler aqui o que escrevi sobre o primeiro dia desta viagem, passado na zona mais histórica de Berlim

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