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Rita da Nova

Ter | 06.10.20

A Vida Mentirosa dos Adultos, Elena Ferrante

A Elena Ferrante rapidamente se tornou uma das minhas escritoras favoritas com a sua Série Napolitana, composta por quatro volumes em que acompanhamos a história de amizade de Lenù e Lila. Podem, então, perceber a minha felicidade quando soube que a autora iria lançar o seu mais recente livro em Portugal no dia anterior àquele que tinha reservado para ir à Feira do Livro de Lisboa.

 

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Trouxe-o comigo, claro, e subiu na lista de prioridades de leitura. Precisei apenas de terminar o que estava a ler na altura para me agarrar a este A Vida Mentirosa dos Adultos, que me ganhou só pelo título. Só não me ganhou pela capa (ó Relógio d’Água, o que é isto?), mas também não se pode ter tudo. O conteúdo é que interessa e esse, sim, prendeu-me da primeira à última página.

 

Este livro conta a história de Giovanna, mais especificamente da sua transição de criança para adolescente, retratando todos os conflitos típicos dessa fase da vida de uma rapariga. Ao crescer, Giovanna ouve uma conversa entre os pais, onde dizem que está a tornar-se cada vez mais parecida com a sua tia Vittoria - com quem a família não se dá devido a quezílias que a protagonista desconhece. Esta conversa ouvida entre paredes motiva Giovanna a conhecer esta tia e a encontrar nela pontos de ligação.

 

Rapidamente passa a criar uma espécie de vida dupla, entre os dois lados da família e dois lados da cidade de Nápoles, e vai definindo a sua personalidade em confronto com estas duas realidades. À medida que vai crescendo, a imagem imaculada que tem dos adultos que a rodeiam vai-se desvanecendo - Giovanna percebe que os adultos mentem, omitem e escondem factos que são importantes para se perceber as relações familiares.

 

Mentiras, mentiras, os adultos proíbem-nas, no entanto dizem tantas.

 

Identifiquei-me muito com a temática, com a sensação de desilusão que sentimos a pouco e pouco, quando vamos percebendo que os adultos que cuidam de nós são humanos, com falhas, defeitos e problemas.

 

Elena Ferrante é mestre a descrever sentimentos e emoções que são difíceis de explicar só com uma palavra ou definição. Quando a leio, tenho sempre a sensação de que escreve sobre coisas que já viveu ou sentiu em algum momento, soa-me tudo como se viesse de um lugar muito verdadeiro. Já o tinha sentido com a tetralogia napolitana, mas A Vida Mentirosa dos Adultos consegue ser melhor e explorar a carga humana da uma forma ainda mais sublime.

 

Senti que há espaço para que esta história tenha continuação, quiçá numa sequela? Se a Elena Ferrante quiser, já somos duas a querer. Contem-me: já leram algo da autora ou já tiveram a oportunidade de ler este livro?

 

Ah! Já que aqui estão - e se querem apaixonar-se um pouco pela Elena Ferrante -, podem ler o que já escrevi sobre os livros dela aqui pelo blog:

> Os livros da Rita // A Amiga Genial (volumes I & II)

> Os livros da Rita // A Amiga Genial (volumes III & IV)

3 comentários

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    Rita da Nova

    21.10.20

    Eu acho que ainda gostei mais deste do que da tetralogia, pelo menos achei-o mais cru. E sim, também senti que há mais do que espaço para uma continuação (espero que sim 🙏)
  • Sem imagem de perfil

    Anónimo

    21.10.20

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