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Rita da Nova

Ter | 23.08.22

A Manual for Cleaning Women, Lucia Berlin

Percebi uma coisa sobre mim enquanto lia A Manual for Cleaning Women, de Lucia Berlin: eu não sei ler contos. Ou melhor: ainda não cheguei à melhor forma de ler uma colectânea de short stories ou de ensaios sem sentir que vou baralhar tudo na minha cabeça.

 

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Fiz, porém, algum progresso com a leitura deste livro! Decidi ir alternando entre ler e ouvir os contos, o que ajudou bastante a não misturar as histórias todas — ou, pior, a deixar o livro completamente de lado com o argumento de “vou lendo um conto de vez em quando”, algo que nunca acontece. Por isso, se também sentem essa dificuldade, experimentem este truque, que pode resultar também para vocês.

 

Falando um pouco sobre o livro em si, que isto ainda é uma review e não uma sessão de terapia de leitura, fico muito feliz por ter sido a escolha da Joana para o mês de Agosto no Clube do Livra-te. Não só porque a minha própria escolha foi uma desilusão completa, mas também porque provavelmente não o teria lido de outra forma. Não achei que a escrita de Lucia Berlin fosse imediatamente fácil, acho que é preciso um período de habituação, mas depois flui bastante bem.

 

A lot of things were really bothering me in those days, like what gave life to the candles and where the sound came from in the desks. If everything in God's world has a soul, even the desks, since they have a voice, there must be a heaven. I couldn't go to heaven because I was Protestant. I'd have to go to limbo. I would rather have gone to hell than limbo, what an ugly word, like dumbo, or mumbo jumbo, a place without any dignity at all.

 

Há quarenta contos nesta colectânea, mas os temas são mais ou menos transversais e muito ligados à própria vida da autora: fala-se bastante sobre luto, sobre alcoolismo, sobre lidar com o cancro, sobre viver na América Latina, etc. Sinto que a informação sobre Lucia Berlin que vinha no final da minha edição ajudou a compreender porque é que estes temas lhe eram tão queridos.

 

Algumas histórias são claramente autobiográficas, até porque a personagem principal se chama Lucia, mas achei curioso que, a certa altura, uma das personagens de um conto dissesse algo como: “tenho dificuldade em distinguir a realidade da ficção, mas nunca minto”. Acho que isto resume na perfeição a experiência de ler este livro.

 

Para terminar, deixo-vos algumas das minhas histórias favoritas: Tiger Bites (muito actual), Carpe Diem, Grief, Mijito, Here it is Saturday e Friends (a minha preferida de todas). E vocês, também leram este livro? Se sim, quais foram os contos de que mais gostaram?

 

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O que é o Clube do Livra-te?

É o clube do livro do podcast Livra-te — calma, não precisam de acompanhar o podcast para participar nas leituras. Todos os meses, cada uma de nós escolhe um livro para ler em conjunto convosco e vocês podem optar por ler a escolha da Joana, a escolha da Rita ou ambas. Depois, podem deixar a vossa opinião no grupo do Goodreads ou no Discord. Podem juntar-se a qualquer altura, venham daí!