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Rita da Nova

642 Things to Write About (#7)

Já sentiam falta das coisas estranhas que o livro 624 Things to Write About me manda escrever? A premissa de escrita de hoje é a seguinte:

Escreve sobre a pessoa que mais invejas.

 

Não sei bem como é que isto aconteceu, mas o texto de hoje acabou por sair bastante mais íntimo do que estava à espera. Mas a escrita é assim: não pede permissão para explorar as coisas que vão dentro de nós, e eu deixei. Se quiserem escrever também com base nesta ideia sem serem influenciados pelo meu resultado final, então não avancem mais até terem escrito. Caso contrário, podem ler o meu texto mais abaixo.

 

642things-olhos.JPG

 

Nunca invejei ninguém, apenas partes de várias pessoas. Não sei se é comum, mas comigo sempre foi assim. O primeiro acesso de inveja - lembro-me perfeitamente - foi a cor dos olhos. Os do meu Pai são os mais bonitos que alguma vez vi, azuis profundos com um círculo verde no meio. Sempre me fizeram lembrar a bandeira do Brasil, mas com as cores invertidas. Os da minha mãe são quase pretos, tanto que nem é possível distinguir a íris do resto. Eu queria que os meus fossem iguais aos do meu Pai, mas a genética trouxe-me uma mistura das cores daqueles dois pares de olhos.

 

Depois disso invejei muitas outras coisas: a magreza das minhas colegas de escola, que contrastava com as minhas formas redondas. A minha Avó dizia que eu estava “a inchar para ganhar formas de mulher”, mas eu preferia não dar nas vistas por ser tão diferente das outras meninas.

 

É curioso como nunca invejei características psicológicas ou de personalidade. Acho que sempre acreditei que seria sempre capaz de as mudar se quisesse - ler mais, ser mais organizada, ser mais simpática ou calar-me mais quando os outros estavam a falar. O que sempre me doeu foi o aspecto físico, pois era aí que me sentia (e de vez em quando ainda sinto) diminuída.

 

Não estou com isto a querer fazer-me de coitada, nem a querer mostrar mais um exemplo de uma mulher que aprendeu a viver consigo mesma. Porque ainda hoje não o sei fazer a 100%. Mas há coisas que sei: sei que não vale a pena continuar a seguir miúdas lindas e perfeitas no Instagram, isso não vai fazer-me feliz. Sei que prefiro seguir contas de viagens e livros, duas das coisas que me inspiram a seguir sempre em frente e a fazer mais por mim. Sei que nem sempre gosto daquilo que vejo no espelho, mas aprendi que raras são as pessoas que estão completamente bem consigo mesmas. Sei que gosto do meu dente ligeiramente torto, das minhas orelhas arrebitadas e dos meus dedos dos pés tão estranhos porque eles só existem em mim.

 

E vocês, decidiram escrever também com base nesta frase? Identificam-se com o que escrevi? Contem-me tudo nos comentários! 

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