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Rita da Nova

Qui | 23.09.21

30 coisas que aprendi antes dos 30

Faço hoje trinta anos e ainda não sei bem o que sinto em relação a isso. Se por um lado estou entusiasmada por entrar numa nova fase da minha vida, por outro também tenho receio que o tempo esteja a passar depressa de mais. Mas chegar aos trinta dá-me a oportunidade de olhar para tudo o que se passou até agora, para todas as coisas que vivi. Esse balanço é importante porque me mostra que, mesmo que o tempo passe de facto depressa de mais, os anos que passaram vieram acompanhados de coisas boas e aprendizagens. 

 

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Por isso mesmo, nada como sentar-me comigo mesma e pensar em trinta coisas que aprendi antes dos trinta. Ao início custou, até achei que tinha aprendido pouquíssimo, mas assim que desbloqueei foi complicado parar. Como tudo na vida, foi uma questão de perspectiva. Fiquem com as minhas trinta aprendizagens: 

 

#1 // A vida é mais curta do que achamos. 

Eu sei que isto parece bastante trágico para começar, mas quanto mais vivemos, mais pessoas e oportunidades perdemos. Nestes meus últimos anos na casa dos vinte percebi a necessidade de começar a arriscar mais, a procurar o que realmente me faz feliz porque o tempo não pára e não vale a pena viver com arrependimentos. 

 

#2 // A idade adulta é perfeita para fazer novos amigos. 

Cresci a ouvir dizer que os amigos da escola e da faculdade seriam os que levaria para vida – e apesar de ter trazido comigo os melhores amigos dessa altura (poucos, mas bons), tenho aprendido que as amizades na idade adulta são muito mais profundas. Acho que é porque nos aproximamos apenas de quem realmente queremos, de pessoas com que nos identificamos ou com quem sentimos uma conexão verdadeira. 

 

#3 // O amor só é amor se nos libertar. 

Bom dia, Gustavo Santos. Mas vá, até que é verdade. Passei o início dos meus vintes em relações que me limitavam porque eu queria sempre corresponder ao que achava que o outro precisava. Evitava coisas que sabia que não gostavam, procurava aproximar-me de um ideal que nem era bem só eu a criar, mas que estava mais na minha cabeça do que outra coisa qualquer. Meio estranho, não é? Quando conheci o Guilherme, tudo mudou – gostamos tanto um do outro, que o nosso objectivo é dar espaço e condições para que o outro seja o que quiser ser. 

 

#4 // O meu corpo é mais feliz se estiver forte. 

Não conheço nenhuma mulher que não tenha tido, a certa altura da sua vida, problemas na forma como se vê. A certo ponto, o nosso corpo pode parecer um inimigo – tudo seria tão mais fácil se ele fosse diferente, mais isto, menos aquilo. Também houve momentos em que me deixei cair nessa espiral de dúvida e de necessidade de culpar o meu corpo pelo que estava errado à minha volta, mas nada bate a sensação de sentirmos que o nosso corpo nos devolve o amor que lhe damos. 

 

#5 // O trabalho não é uma segunda família (nem é suposto que seja). 

É bom sermos felizes no local de trabalho e fazer amizades que levamos para fora do escritório, mas também é bom e saudável conseguir desligar de tudo isso quando chegamos a casa (ou desligamos o computador, no caso do teletrabalho). Ninguém é insubstituível e isso é a maior paz que alguém pode ter no local de trabalho. 

 

#6 // É OK falhar. 

Eu fui uma criança e uma adolescente irritantemente perfeccionista. A ideia de falhar deixava-me ansiosa e, muitas vezes, bloqueava-me a acção (se eu não fizer, nunca vou errar). Não sei quando se deu o clique, mas a certa altura percebi que ninguém me levava tanto a sério quanto eu. E isso leva-me ao próximo ponto: 

 

#7 // Não vale a pena estar tão preocupada com o que os outros acham de mim. 

Porque, na maior parte das vezes, eles estão mais preocupados com o que os outros acham deles. 

 

#8 // É importante pôr protector solar TODOS OS DIAS.

Não apenas quando vamos para a praia ou está um dia de calor abrasador. Todos os dias. A vossa pele vai agradecer! 

 

#9 // É na boa afastar-me de pessoas que não me trazem nada de bom.

Sim, incluindo a família. Aliás, sobretudo se for família. Aprendi da pior forma que o sangue ou o ADN não diz nada sobre a dedicação ou o amor que as pessoas da mesma família têm umas pelas outras. Custa cortar relações com alguém que supostamente deveria sentir amor incondicional por nós (e vice versa)? Claro. Mas também é certo que não escolhemos a família em que nascemos, nem conseguimos controlar os sentimentos e as atitudes dos outros. 

 

#10 // Não há mal nenhum em experimentar alguma coisa e não gostar. 

Ou em estar constantemente em busca de experimentar coisas novas. Caramba, se não o fizermos agora, quando vamos fazer? 

 

#11 // Podemos adiar tudo, menos as consultas de rotina. 

Não sou “demasiado nova” para que alguma doença grave tome conta do meu corpo. A saúde tem que estar em primeiro lugar – e sim, estou a falar de saúde mental também. 

 

#12 // Há sempre tempo para o que realmente queremos. 

Não, o tempo não estica, mas não podemos refugiar-nos nele e usá-lo como desculpa para não avançar com os nossos projectos, para não estarmos com as pessoas de quem gostamos, para não fazermos coisas que realmente nos fazem felizes. 

 

#13 // É bom fazer as coisas com amor, mas também é bom fazer com ódio. 

Sou uma grande apologista da raiva como catalisador e acho que não há nada de errado em ficar irritada com alguma coisa. Foi só preciso aprender a aceitar as partes boas que podem advir de senti-la. 

 

#14 // Não há mal nenhum em mostrar vulnerabilidade. 

Obviamente que sou apologista de nos deixarmos ser vulneráveis só com quem sabemos que vai tomar bem conta de nós, perto que de quem não se vai aproveitar da situação. É importante darmos espaço aos outros para cuidarem de nós. 

 

#15 // Fazer terapia é natural e devíamos fazê-lo como manutenção. 

That’s it, that’s the tweet. 

 

#16 // Sabemos como saímos de casa, mas não sabemos como entramos. 

Uma das melhores frases da Avó Rosa e um pedaço de sabedoria que passo agora para vocês. Quem sabe o crush não vem connosco para casa? Ou alguém importante, que não queremos desapontar? A pensar nos imprevistos, nada deixar a roupa suja no cesto e fazer a cama antes de sair. 

 

#17 // Fazer exercício físico pode salvar o dia. 

Ou, no meu caso, definir bem o mood do dia logo desde o início. A Rita de quinze anos iria rir-se se soubesse que um dia ia usar o exercício físico como forma de manter a sanidade mental, mas aqui estou eu, a precisar de me mexer um pouco todos os dias para estar pronta a enfrentar o que vier. 

 

#18 // O tempo que investimos naquilo em que acreditamos não tem que nos ser devolvido. 

Há muito tempo que penso que deveria existir um sistema de reembolso de tempo perdido em coisas que não lembram ao Menino Jesus, tipo filas das finanças ou conversas de circunstância com pessoas com quem não simpatizamos assim tanto. Por oposição, aprendi com o voluntariado com gatinhos que também há momentos em que esse tempo é tão bem investido que nem me queixo de o gastar. 

 

#19 // Figos e dióspiros podem parecer estranhos, mas são incríveis. 

Só comecei a gostar destas frutas no final dos meus vintes, por isso venho aqui dizer-vos para não se deixarem enganar pelas texturas estranhas – arrisquem, vão gostar. Só que os dióspiros têm que ser dos de roer, senão vão ficar com a língua a parecer papel de jornal. 

 

#20 // O nosso caminho podem ser vários. 

Nem sei se esta frase está bem escrita, mas o que eu quero dizer é – se não quisermos casar, se não quisermos ter filhos, se não quisermos ter uma carreira… o que é que nos impede? Vamos mesmo querer chegar a velhos e pensar que não queríamos ter feito nada do que fizemos e dar por nós num caminho que os outros ou a sociedade acharam ser os melhores para nós?

 

#21 // As viagens regeneram, mas voltar a casa acalma. 

Não é surpresa para ninguém que, se pudesse, eu viveria para viajar. Mas se há uns anos fazia planos para estar o menor tempo possível por cá, agora o meu objectivo é um equilíbrio maior entre estar fora e aproveitar o lugar e as pessoas a que chamo casa. 

 

#22 // É sempre melhor dizer o que pensamos. 

Quantas vezes não damos por nós a pensar “devia ter dito alguma coisa”? Já me aconteceu tantas vezes e, em algumas delas, sinto que dizer alguma coisa poderia de facto ter feito a diferença, mas optei por ficar calada por vergonha ou medo. Isto não significa que tenhamos que ser brutos na forma como nos expressamos, há sempre uma maneira positiva de dizer o que achamos. 

 

#23 // Mais livros, menos telemóveis. 

É fácil cair num vórtex de WhatsApp, TikTok e Instagram, sobretudo depois de um dia de trabalho, mas sinto-me mais feliz e realizada desde que diminuí o meu tempo de ecrã e me dediquei à leitura (na realidade pode ser o que quiserem, desde que seja uma actividade analógica). Prometo que até acordam melhor no dia seguinte. 

 

#24 // Endireitar as costas, sempre!

Daqui fala alguém com escoliose, que parece não ter aprendido com isso. Tenho muita tendência a estar torta, mas aprendi da melhor maneira a lembrar-me constantemente de endireitar as costas (obrigada Pai, pelos avisos constantes na adolescência, pelos vistos ficaram registados). 

 

#25 // Tudo acontece por um motivo. 

Ou, pelo menos, gosto de acreditar que sim. Não sei se existe um destino ou uma ordem qualquer no Universo (até tendo a acreditar que não), mas tenho vindo a perceber que fico mais calma se acreditar que, se as coisas não foram como eu idealizava, é porque algo melhor ou diferente está à minha espera mais à frente. E se acreditar nos tranquiliza, por que não?

 

#26 // É tirar das pessoas as coisas boas que têm para nos dar. 

Este ensinamento vem directamente do pai do Guilherme, que eu nunca conheci, mas que tinha uma perspectiva bastante positiva das coisas. A verdade é que nós não conseguimos controlar as acções ou os sentimentos das outras pessoas – e, na realidade, os outros não nos devem nada. O melhor mesmo é tratar os outros como gostaríamos de ser tratados e retirar as partes boas de cada pessoa e situação. Nada mais, nada menos. 

 

#27 // Agradecer e elogiar todos os dias. 

Pode parecer óbvio, mas não é assim tanto. As pessoas nem sempre fazem coisas por nós para serem recompensadas de alguma forma, mas um agradecimento é sempre importante – porque nesse agradecimento conseguimos mostrar que aquela pessoa teve um impacto positivo em nós. O mesmo com os elogios: se alguém está radiante, se é bom a fazer alguma coisa… por que não dizê-lo directamente? 

 

#28 // Andar sempre que for possível. 

Andar é incrível e dá-nos tempo e espaço para observar, põe-nos em contacto com o ar livre e com os nossos pensamentos – organizá-los, ter ideias, deixá-los livres, o que quiserem. Se podemos fazer o caminho a pé, para quê andar de carro ou de transportes?

 

#29 // As coisas podem mudar de um dia para o outro.

E não há grande coisa que possamos fazer em relação a isso. A única coisa que está ao nosso alcance é a nossa reacção e é com ela que podemos e devemos trabalhar. Ainda ando a trabalhar neste ponto, confesso. Às vezes preciso de me forçar a ser mais gentil com os outros e comigo, mesmo quando não sinto as coisas dessa forma e só me apetece reagir com agressividade. 

 

#30 // Por fim: não se esqueçam que viemos ao mundo para sermos felizes. 

Penso nisto todos os dias e tento, em cada um deles, fazer mais coisas que me deixam feliz e gastar menos energia nas que só me consomem. Estar quase a chegar aos trinta é assustador porque penso na quantidade de coisas que não experimentei por medo – mas nós só cá vimos uma vez, não é mesmo?

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