Heart the Lover, Lily King
Não estava em busca de comprar este livro — embora já tivesse ouvido falar muito bem dele —, mas quando estive no Porto da última vez, passei pela Rosebud, ele estava lá bem destacado e eu não consegui resistir. A dona da livraria partilhou comigo que todas as pessoas que o liam acabavam num pranto, e eu não disse, mas pensei, que Heart the Lover, de Lily King, tinha tudo para ser o meu tipo de livro.

Já tinha gostado de ler a autora em Writers & Lovers (PT: Escritores e Amores) e na coletânea de contos Five Tuesdays in Winter, mas acho que este romance é, até agora, o meu favorito de Lily King. Em Heart the Lover acompanhamos uma jovem estudante, a quem toda a gente chama Jordan, a partir do momento em que, numa aula de literatura, conhece Sam e Yash. Ao início, Jordan envolve-se com Sam e desenvolve uma amizade muito forte com Yash, mas as coisas vão evoluindo para sítios diferentes. Em primeira metade do livro vemos a maneira como estas relações vão mudando enquanto os três são estudantes, na noutra metade avançamos vários anos e vemos como é que estas personagens reagem quando a vida as volta a juntar.
Talvez Lily King seja mesmo a escritora dos triângulos amorosos, mas eu confesso que gostei bem mais deste do que daquele que é apresentado em Writers & Lovers. Senti que as personagens de Jordan, Sam e Yash fazem muito mais justiça aos graus de cinzento que existem nestas situações, e que honram as linhas ténues entre amizade e amor. O que não deixa de ser curioso porque, no final do livro, percebemos que há uma ligação entre os dois livros — ligação essa que me fez ter vontade de reler Writers & Lovers.
Tirando ali um ponto específico da narrativa, que achei muito bem executado, é uma história sem grandes reviravoltas. Mais uma vez, Lily King demonstra ser uma escritora de sentimentos e emoções, e não tanto de ação, e eu não me importo nada que assim seja. Isso faz com que, mesmo tendo em conta a aparente simplicidade, nunca se perca beleza e profundidade.
Emocionei-me no final, embora não tanto como me foi anunciado, porque me liguei muito a estas personagens e acreditei que podiam mesmo ser reais. Acho que isso só pode querer dizer que o recomendo muito, certo? E vocês, ficaram com vontade de ler este ou outros da autora? Quero muito passar para Euphoria, que já tenho no Kobo.