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Rita da Nova

Qui | 22.01.26

The Edible Woman, Margaret Atwood

Ao longo do ano passado fui vendo vários criadores de conteúdo de que gosto a fazer um desafio chamado «my year with…». A ideia é escolher um escritor com uma obra considerável e tentar ler pelo menos um livro desse autor por mês. Como há muito tempo que queria conhecer melhor os romances de Margaret Atwood — e tendo em conta que estará no Porto, em junho, a propósito do festival literário Babell — achei que era a oportunidade perfeita para juntar as duas coisas.

 

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Listei todas as obras da autora que ainda não li e atribuí uma a cada mês do ano, por ordem cronológica. Sendo que Margaret Atwood tem muitos livros de contos, poesia, infantis e até não-ficção, para já decidi cingir-me aos romances, já que é o tipo de livro de que gosto mais. Assim sendo, comecei com The Edible Woman (PT: A Mulher Comestível), lançado em 1969. Numa nota prévia, a Atwood afirma que não foi o primeiro romance que escreveu, mas sim o primeiro que conseguiu publicar.

 

Outra coisa que a escritora diz nessa nota é que este romance é mais atual nos dias de hoje do que na altura em que foi escrito, e percebi exatamente o que queria dizer logo nos primeiros capítulos. Em The Edible Woman acompanhamos Marian, uma jovem mulher que se debate com a possibilidade de vir a casar com Peter, o namorado com quem tem um relacionamento estável. Esta hipótese — e, mais tarde, certeza — é o ponto de partida para uma reflexão maior sobre os papéis de género, o machismo na sociedade e, acima de tudo, sobre como é que as mulheres podem ser livres num sistema patriarcal.

 

Mesmo sendo o primeiro romance publicado, já se notam aqui muitas das características que identifico nas obras mais recentes de Margaret Atwood. Não falo apenas das temáticas e crítica social, mas também do próprio estilo de escrita, já que sarcasmo é o que não falta nesta história e na interação entre as personagens. Gostei sobretudo da maneira como, à medida que a identidade de Marian se dissolvia e passava a estar ligada apenas ao casamento, a personagem ia perdendo o interesse em comer, em alimentar-se. Isto torna The Edible Woman ideal para quem gostou d’A Vegetariana, de Han Kang, ou para quem gostaria de ter apreciado o livro, mas não conseguiu aguentar as descrições mais chocantes.

 

Terminada esta leitura, acho que não poderia ter escolhido uma melhor autora para o meu primeiro «my year with…». Em Fevereiro lerei Lady Oracle (PT: Senhora Oráculo) porque já li Surfacing (PT: Ressurgir), que seria o seguinte na lista. Há por aí fãs desta escritora? Se sim, qual o vosso favorito?