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Rita da Nova

Qui | 11.12.25

Iza’s Ballad, Magda Szabó

Se devia ter vergonha na cara por só agora ter lido Iza’s Ballad (PT: A Balada de Iza), de Magda Szabó, embora tenha comprado o livro numa viagem a Budapeste há uns anos? Talvez, mas a vida tem as suas coisas e só agora consegui pegar nele. Sabia que era uma história centrada na dinâmica entre uma mãe e uma filha e, nesse sentido, esta história não desiludiu.

 

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Quando Vince morre, Iza, a sua filha, decide que a mãe deve ir morar com ela para a cidade, deixando tudo para trás. Recentemente viúva, Ettie tem então de lidar com ainda mais mudanças, mas confia na filha para agir da forma mais acertada possível. É este o ponto de partida de Iza’s Ballad, uma história sobre a dificuldade que temos em comunicar com as pessoas de quem mais gostamos e, por isso mesmo, aquelas com quem deveríamos ser mais honestos. Como o livro está estruturado numa lógica de alternância de perspetivas — quase sempre entre Ettie e Iza, embora surjam outras a certa altura —, somos constantemente confrontados com os preconceitos que criamos em relação a estas duas protagonistas.

 

Adoro livros sobre a dinâmica mãe-filha, e este deu-me uma abordagem sobre a qual ainda não tinha lido: o que acontece quando é a filha quem domina e tem o controlo sobre a relação? Achei bastante «refrescante», mesmo já tendo lido muitos livros sobre o mesmo tema. Gostei muito de todos os momentos em que Ettie e Iza interagiam, mas gostei ainda mais do que ficou por dizer ou escondido nos silêncios estratégicos. Magda Szabó criou estas duas personagens de forma exímia.

 

Sinto, ainda assim, que não consegui ligar-me completamente a este livro. Talvez tenha sido a tradução do húngaro para inglês, talvez tenha sido a escolha de incluir outros pontos de vista que não os das protagonistas, mas é certo que houve aqui qualquer coisa que criou uma distância emocional entre mim e o livro. De qualquer modo, tenho pensado muito nele desde que o acabei, pelo que só pode ser bom sinal.

 

Sei que vou querer ler mais coisas de Magda Szabó, e se calhar vou escolher A Porta, na versão portuguesa, para tirar as teimas quanto à tradução. Há por aí mais leitores desta escritora? Se sim, que livros dela me recomendariam?