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Rita da Nova

Ter | 02.12.25

As Últimas Linhas Destas Mãos, Susana Amaro Velho

Desde que comecei a ler Susana Amaro Velho que estava curiosa com As Últimas Linhas Destas Mãos. Foi o primeiro romance que publicou, e esteve indisponível durante muito tempo, mas todas as pessoas que o tinham lido diziam ser muito bom. Fiquei, portanto, muito feliz por saber que iria reeditá-lo na casa editorial em que se encontra agora, e aproveitei que está no Kobo Plus para me atirar a ele.

 

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Conhecemos Teresa, uma das vozes desta história, no momento em que a mãe, Alice, morre. A mãe deixa-lhe um caixote cheio de lembranças e pequenos objetos, aparentemente inócuos, entre os quais se encontram cartas escritas ao longo de várias décadas, desordenadas e confusas. Numa tentativa de compreender melhor as atitudes de Alice (no decorrer da sua vida, mas principalmente na proximidade à morte), Teresa mergulha nestas cartas e tenta fazer sentido daquilo que lá está escrito. Torna-se mais ou menos evidente que nem ela, nem os irmãos, conheciam verdadeiramente a mãe — seria ela, afinal, uma pessoa completamente diferente daquela com que conviveram?

 

Gostei especialmente das cartas de Alice, não apenas da forma como estão escritas, mas principalmente por serem peças de um puzzle que as personagens — quase todas têm espaço de fala — vão montando em conjunto com o leitor. A única pedrinha na engrenagem desta leitura foi ter sentido, a certa altura, que havia pouca diferenciação na voz de cada uma das personagens, uma vez que todas falam na primeira pessoa, mas ainda assim não foi suficientemente relevante para afetar assim tanto a leitura. Estive mais focada na escrita belíssima de Susana Amaro Velho e nos pensamentos que foram surgindo ao longo da leitura. Gosto muito de livros que me fazem avaliar a minha própria experiência de vida, e que me fazem vestir a pele das personagens, e esta história teve esse poder.

 

É importante reforçar — e a autora também já falou sobre isto — que esta é uma versão bastante alterada em relação à original, já que aproveitou para voltar a pegar num texto e aproximá-lo da escritora que é hoje. Partilho isto porque alguns de vós poderão ter lido a primeira edição, mas isso não invalida que voltem a ler esta. Eu recomendo muito que o façam; na minha humilde opinião, esta é a obra que mais reflete o lado poético de Susana Amaro Velho e vale muito, muito a pena. Há por aí leitores desta escritora? Se sim, qual o vosso favorito?