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Rita da Nova

Sex | 23.02.24

Lisboa, Chão Sagrado, Ana Bárbara Pedrosa

Aproveitei a Feira do Livro de Lisboa de 2023 para ir em busca de livros de escritoras portuguesas. Lisboa, Chão Sagrado, de Ana Bárbara Pedrosa, era um dos livros do dia e decidi aproveitar por ser, também, a obra de estreia da autora. Ficou algum tempo à espera, mas gostei tanto de ouvir a Ana Bárbara no Vale a Pena, que a vontade de o ler aumentou muito.

 

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Sabia que não era um livro muito consensual, pelo menos conheço algumas pessoas que não o adoraram ou que tiveram alguma dificuldade em entrar na história. Até compreendo: em Lisboa, Chão Sagrado acompanhamos um conjunto de personagens e vamos saltando de perspectiva em perspectiva, o que pode dificultar a ligação à narrativa. Eduarda, Mariana, Noé, Matias e Dulcineia têm as suas histórias individuais, mas também momentos em que se vão cruzando uns com os outros. Através destas personagens, Ana Bárbara Pedrosa leva-nos ao Rio de Janeiro, à Palestina, a Lisboa, ao interior do Brasil — e, ao mesmo tempo, essas viagens no espaço também nos ajudam a compreender a dinâmica destas relações.

 

Não restou nada de bom: insónias, fraqueza, ansiedade, aquela tristeza lenta, aquele abraço impossível, passeios furiosos pela madrugada de Lisboa, um escaravelho estúpido, um ego que já só serve para varrer o chão, a falta d-e-l-a, a falta d-e-l-a, a falta d-e-l-a, a certeza de que a teria seguido até um lar, até ao fim.

 

É, sobretudo, uma história sobre a maneira como procuramos nos outros (e no amor que terão ou não para nos dar) aquilo que nem sempre conseguimos encontrar dentro de nós. Talvez seja um livro demasiado cru e intenso para alguns gostos, mas eu gostei de constatar que é possível escrever um livro que é quase todo sobre sexo sem que isso resvale para o brejeiro ou cringe. E adorei os diálogos entre personagens portuguesas e brasileiras, sobretudo os que mostravam a dificuldade em comunicar numa língua que, apesar de tudo, é a mesma.

 

Fiquei muito curiosa com Amor Estragado, da mesma autora, porque me parece ser o que os leitores mais costumam apreciar. Há por aí fãs de Ana Bárbara Pedrosa? Se sim, qual me recomendam que leia a seguir a este?