A Day in the Life of Abed Salama, Nathan Thrall
A Day in the Life of Abed Salama (PT: Um Dia na Vida de Abed Salama), de Nathan Thrall, tinha-me passado completamente ao lado e, de repente, comecei a vê-lo um pouco por todo o lado. É bastante recente e afirma-se como a anatomia de uma tragédia em Jerusalém — como podem compreender, é uma história bastante atual, o que justifica que esteja a ser bastante lida.

Embora o título se refira a um dia na vida de Abed Salama, acabamos por acompanhar este homem e a sua família ao longo de cerca de 50 anos. Começamos, porém, no presente, quando Milad Salama, o filho de cinco anos de Abed, está entusiasmado com uma visita de estudo a um parque temático nos arredores de Jerusalém. Não demora muito até que o pai tenha conhecimento de um acidente entre os autocarros da escola e um camião — as crianças são levadas para diferentes hospitais e Abed Salama tem de tentar encontrar o filho. O problema? É palestiniano e está em território israelita.
Enquanto faz tudo o que pode para descobrir o paradeiro do filho, Abed questiona-se acerca do que terá feito para merecer este destino — não apenas a desgraça que se abateu sobre ele e o filho, mas toda a miséria que advém de ser palestiniano. Ao relatar a história de Abed Salama, Nathan Thrall consegue dar-nos uma visão bastante compreensiva do conflito israelo-palestino nas últimas décadas — e a parte mais curiosa é que nem sequer menciona os acontecimentos mais recentes, uma vez que o livro foi publicado dias antes.
É uma história bastante triste, mas necessária para que possamos entender as consequências que este conflito tem nas pessoas reais: nas mulheres, nos homens e nas crianças que nasceram neste contexto e que se habituaram desde cedo a sobreviver em condições desumanas, em perigo constante, sem real controlo sobre as consequências que os acidentes podem ter nas suas vidas.
Quando pensarem que tudo isto é demasiada tragédia numa história só, lembrem-se que Nathan Thrall conta uma história real — A Day in the Life of Abed Salama é uma peça jornalística longa e que só quatro nomes é que foram ficcionados. Contem-me: ficaram com vontade de conhecer este livro?