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Rita da Nova

Ter | 05.12.23

How to Love Your Daughter, Hila Blum

Na minha primeira visita à Salted Books, encontrei por lá este livro e achei logo que era a minha cara. How to Love Your Daughter, de Hila Blum, promete explicar como é que uma mãe e uma filha passaram de ser as melhores amigas para não se falarem e nunca mais se verem. Durante alguns minutos ainda combati a vontade de o trazer comigo, mas a certa altura não fui capaz de resistir.

 

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Começamos o livro no presente: Yoella está na rua onde a sua única filha mora, a olhar para dentro de casa para conseguir conhecer as netas. Rapidamente compreendemos que mãe e filha não se falam há vários anos e a personagem principal vai fazendo vários saltos temporais para nos explicar porquê. É certo que já esperava que fosse uma história muito mais focada no desenvolvimento das personagens do que propriamente num enredo intrincado — deixo, porém, a nota de que ainda é mais do que eu antecipava.

 

Gostei muito desse lado: embora Yoella seja uma mãe possessiva, como o livro é narrado por ela compreendemos porque é que se tornou assim e de onde vem a necessidade de estar sempre perto da filha. E a relação entre as duas também está muito bem explorada, com reflexões muito interessantes sobre esta dinâmica — que é muitas vezes complexa. Ainda assim — e nem acredito que vou dizer isto —, gostava de um pouco mais de enredo porque não me senti, de todo, ligada ao formato escolhido para contar a história.

 

The trick is not to show too much interest in your children’s secret lives, I knew that. To keep your eagerness in check. I knew that many of the habits Leah and I had cultivated throughout her childhood came with an expiration date, that her teens would touch down and sweep her away in a roiling river of biochemistry, a skewed understanding of reality and a misguided focus. The tiniest remark tossed her way would become the center of her universe, the sun in her solar system — inane teenage stuff.

 

Quando comprei How to Love Your Daughter estava convencida de que a autora era americana ou britânica, mas depois percebi que é israelita e que o livro foi traduzido do hebraico. Acho que isto também contribuiu para a dificuldade que tive em ligar-me à escrita da autora. Apesar dos pensamentos bonitos, senti que podia ser um pouco mais poética do que realmente foi. De qualquer das formas, se gostam de livros que exploram a dinâmica entre mães e filhas, então recomendo que lhe dêem uma oportunidade.

 

Quem desse lado já tinha ouvido falar deste?