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Rita da Nova

Qui | 26.05.22

Open Water, Caleb Azumah Nelson

A internet insistiu, a Joana insistiu, e eu lá cedi: finalmente li Open Water de Caleb Azumah Nelson, um livro que é uma autêntica carta de amor. Mas, claro, uma carta de amor em que nem tudo é dito porque as emoções nem sempre se podem transformar em palavras e frases coerentes.

 

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Um homem e uma mulher conhecem-se num bar em Londres, ela namora com um amigo dele. São ambos negros e estão ambos ligados às artes — ela é bailarina, ele é fotógrafo e poeta. Ele apaixona-se de imediato, ela talvez — não é certo, a situação é complicada, afinal ela namora com um amigo dele. Mas tornam-se imediatamente melhores amigos e o amor cresce a partir do conforto de terem tanto em comum. É uma história tão real que os protagonistas não precisam de ter nome.

 

You were careful not to breach a border, except you all know something has opened; the seed you pushed deep into the ground has blossomed in the wrong season. You think of how you will tell this story to those who ask, because there will be questions. You wonder if it felt right will be sufficient. You wonder if the defence of nothing happened will be sufficient.

 

Gostei muito da maneira como este livro aborda o racismo, bem como a forma como o trauma pode afectar a maneira como estas pessoas se relacionam com outras. Não há muito mais que vos possa dizer para vos convencer a ler este livro, a não ser que a escrita de Caleb Azumah Nelson é das mais bonitas que já li — tem a capacidade de dizer muito com poucas palavras, algo que eu admiro imenso. Vejo frequentemente dizerem que é difícil de acreditar que este seja o seu primeiro livro e concordo a 1000%. Diria até que o livro vale bem mais pela escrita do que pelo enredo — há ali algumas falhas, mas eu perdoei-as todas por causa da qualidade da escrita.

 

Não está traduzido, mas o inglês é bastante acessível, caso queiram dar-lhe uma oportunidade (acho que deviam). Quem já leu? O que acharam?