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Rita da Nova

Ter | 08.02.22

Casa // Se as paredes falassem (V)

Ano novo, novas decorações nas paredes desta casa — mas não só, a viragem para 2022 deu-me imensa vontade de mudar algumas coisas pela casa, sobretudo na cozinha e no meu escritório, que eram os espaços que eu sentia que ainda poderiam ficar melhores.

 

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As mudanças no escritório até já tinham começado no ano passado, mas apenas do lado do armário da roupa. Na altura partilhei convosco um dos quadros que escolhi para aquela zona, mas agora decidi começar a “atacar” a zona de arrumações. Vendi todas as estantes que cá tinha e, no momento em que vos escrevo, estou à espera de algumas prateleiras para montar um sistema de arrumação em madeira. Calhou que a Desenio achou boa ideia repetir a parceria que vamos tendo de tempos a tempos, o que foi incrível porque encontrei o quadro da imagem de cima, o My Life List, onde já comecei a apontar algumas das coisas que gostava de fazer — por enquanto são: ir à Islândia, terminar o meu livro, ser mais empática e Aprender Língua gestual Portuguesa.

 

Passando para a cozinha: foi a parte da casa que levou umas mini obras recentemente. Já no último post em parceria com a Desenio vos tinha mostrado o quadro Pasta Sauce Illustration, só que entretanto descobri que existe também o Pasta Illustration, então não deu para não os pôr lado a lado nas estantes novas da cozinha (revoltei-me e tirei esses armários para fazer espaço para um frigorífico maior e uma zona de prateleiras).

 

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Nas estantes passou a estar um poster que já tinha nos favoritos há imenso tempo, mas ainda não me tinha decidido a comprá-lo. Foi agora, para pôr esta decoração da cozinha a mexer! E eu que nem gosto de bananas, apaixonei-me completamente pela ilustração e cores do Tutti Frutti.

 

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Para terminar, ainda encomendei dois para o escritório do Guilherme (Game Controller & Game Over), mas ainda não estão nas paredes porque ele está a dar ali uma volta à decoração. Como eu e a Desenio queremos que também possam tornar as vossas paredes mais felizes, trago-vos hoje um código que dá 35% de desconto numa compra (excepto posters personalizados e molduras). Podem usar RITADANOVA35 no momento do check-out entre 8 e 10 de Fevereiro.

 

Contem-me lá: qual destas zonas gostaram mais? Fazia-vos sentido uma tour do escritório quando isto estiver tudo organizado? Estou muito orgulhosa das pequenas mudanças!

 

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Este post foi criado em colaboração com a Desenio. 

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Sex | 04.02.22

The Year of Magical Thinking, Joan Didion

Se eu sabia que ia sofrer do coração quando lesse The Year of Magical Thinking da Joan Didion? Sabia. Se eu li na mesma? Li. Se eu sofri? Sofri, e não foi pouco. Neste livro de não-ficção, a autora relata o ano após a morte do marido, John Dunne, período esse em que a filha Quintana estava bastante doente (e chegou a estar em coma).

 

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Acho que por esta breve descrição podem perceber que, mesmo sendo bastante curto, não é um livro nada fácil de ler. Acho que nunca tinha sentido necessidade de sublinhar um livro como tive com este, cada frase me ficava mais gravada na memória do que a anterior. Felizmente, eu ainda não perdi ninguém que me é muito querido, por isso o luto ainda é uma coisa muito estranha para mim, e talvez por isso me fascine tanto ler sobre o tema.

 

Não sei o que faria se o Guilherme morresse assim, de repente; não sei o que faria nos dias seguintes, nem nos meses seguintes, nem nos anos seguintes. Mas sei que relatos como o de Didion, por mais duros que sejam de ler, ajudam a tomar consciência de que tudo é efémero, de que às vezes ficamos presos a merdices que não interessam para nada.

 

Como acho que toda a gente deveria ler este livro, que está traduzido para português (O Ano do Pensamento Mágico), deixo três das mil citações que guardei:

 

Grief turns out to be a place none of us know until we reach it. We anticipate (we know) that someone close to us could die, but we do not look beyond the few days or weeks that immediately follow such an imagined death. We misconstrue the nature of even those few days or weeks. We might expect if the death is sudden to feel shock. We do not expect the shock to be obliterative, dislocating to both body and mind. We might expect that we will be prostrate, inconsolable, crazy with loss. We do not expect to be literally crazy, cool customers who believe that their husband is about to return and need his shoes.

 

I remember thinking that I needed to discuss this with John. There was nothing I did not discuss with John. Because we were both writers and both worked at home, our days were filled with the sound of each other's voices. I did not always think he was right nor did he always think I was right but we were each the person the other trusted. There was no separation between our investments or interests in any given situation.

 

I could not count the times during the average day when something would come up that I needed to tell him. This impulse did not end with his death. What ended was the possibility of response. I read something in the paper that I would normally have read to him. I notice some change in the neighborhood that would interest him: Ralph Lauren has expanded into more space between Seventy-first and Seventy-second Streets, say, or the empty space where the Madison Avenue Bookshop used to be has finally been leased. I recall coming in from Central Park one morning in mid-August with urgent news to report: the deep summer green has faded overnight from the trees, the season is already changing. We need to make a plan for the fall, remember thinking. We need to decide where we want to be at Thanksgiving, Christmas, the end of the year. I am dropping my keys on the table inside the door before I fully remember. There is no one to hear this...

 

E falando em Joan Didion, a cuja escrita eu só cheguei agora, mas à qual já fiquei rendida, que outros livros dela me recomendariam?

Qui | 03.02.22

Adults, Emma Jane Unsworth

Ainda se lembram da minha incursão pelas livrarias de Edimburgo, no final do ano passado? Encontrei o Adults, de Emma Jane Unsworth, em destaque em quase todas. Fiquei cheia de vontade de o trazer, mas acabei por me controlar e trazer apenas os outros que já fui mostrando por aqui ou pelo Instagram. Entretanto encontrei-o cá, numa visita rápida à Fnac antes de ir ao cinema, e decidi que iria finalmente trazê-lo — e li-o quase tão depressa quanto o comprei, já que foi um dos que fizeram parte da Maratona de 12h de leitura, que eu e a Joana fizemos para o Livra-te.

 

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Tal como disse no episódio, fez-me lembrar um Everything I Know About Love da Dolly Alderton, mas ficcionado. Também tem certas semelhanças com o Queenie, não apenas no humor britânico que está presente em toda a narrativa, mas na história. Resumindo: Jenny tem 35 anos e, aparentemente, uma vida nos eixos — tem um trabalho interessante, casa própria em Londres e, embora tenha acabado um namoro há pouco tempo, tem vários amigos. Mas será que é mesmo tudo assim tão bom?

 

Logo no início do livro percebemos que Jenny vive demasiado online: preocupa-se demasiado com as coisas que publica, fica obcecada com a quantidade de likes e está constantemente a ver perfis de mulheres que considera perfeitas, tentando aproximar-se delas. Narrado sempre da perspectiva desta personagem, podemos dizer que é um livro bastante honesto sobre o que é considerado um “percurso de sucesso” hoje em dia, sobre a pressão excessiva que o digital põe em cima de nós, sobre a forma como nos estamos a tornar cada vez mais egoístas.

 

“That’s what the mid-thirties should be about, after all: constant self-interrogation. Acquiring the courage to change what you can, and the therapist to accept what you can’t.”

 

Apesar de achar que a premissa é boa, e de haver ali vários momentos interessantes (como a ideia de a melhor amiga de Jenny estar claramente farta dela e precisar de “um tempo”), senti sempre um exagero que não abona a favor do livro — acho que ninguém é tão auto-consciente como esta personagem. Aliás, se ela fosse mesmo tão consciente das suas acções como parece, por que raio continuaria a comportar-se de uma forma tão egoísta? Pareceu-me que começa muito bem, mas depois acaba por não desenvolver da melhor forma. Seja como for, é uma leitura divertida, mais que não seja porque a mãe da Jenny é uma personagem hilária.

 

Já ouviram falar da autora ou do livro? Fui pesquisar e acho que ainda não tem nenhum traduzido para português.

Ter | 01.02.22

Música para o mês // Fevereiro

Olá, bom dia. O meu nome é Rita da Nova e estou a desenvolver uma obsessão estranha por Conan Gray. Eu sei que não costumo começar estes posts assim, que normalmente dou aqui um resumo básico do que tem sido a minha vida, mas nada como lançar logo afirmações honestas para estarmos na mesma página desde o início.

 

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Antes de falar da música do mês, então, a minha vida tem-se centrado em três coisas fundamentais: fugir à Covid pelos pingos da chuva, escrever e planear viagens para este ano — no fundo, espero que a primeira não aconteça e que as outras duas aconteçam da melhor forma possível. Uma coisa é certa, tenho sido muito feliz agarrada ao documento que, se tudo correr bem, se transformará num belo livro a ir parar às vossas mãos.

 

Como não consigo escrever com música que tenha letra, só com instrumental, a música para Fevereiro bem que poderia ser qualquer uma da playlist que tenho sempre a tocar (Music for Writing), mas a verdade é que o mais recente single de Conan Gray, Jigsaw, veio directo ao meu coração e não dá para não o trazer.

 

 

I've changed every part of me

Until the puzzle pieces aren't me, at all

I look in the mirror, now I'm just a jigsaw

Ah-ah

You take every part of me, all of the things you need

Then the rest you discard

I look in the mirror, now I'm just a jigsaw

Ah-ah

 

Esta música tem tudo o que gosto nas músicas dele: uma história de partir o coração, melancolia, tristeza. Mas também tem aqui uma raivinha boa, tanto na forma como canta, como no instrumental, que eu acho que assenta muito bem. Não é de estranhar que eu ame tudo o que ele faz, já que o produtor dele é o mesmo da Olivia Rodrigo (e eles são melhores amigos), por isso o meu Spotify fica em família.

 

Mas bom, agora vamos lá saber como têm sido estas primeiras semanas de 2022 desse lado e que música trariam para receber Fevereiro.

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